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O complô católico
Imaginaram eles, pelo menos este era o intento da conspiração de Throckmorton, de 1583, de que se fosse possível derrubar Isabel I num complô, com apoio a Espanha contra-reformista, a bela Mary assumiria a coroa da Inglaterra e esmagaria a heresia no seu próprio berço. O plano foi descoberto e a pobre Mary foi sentenciada à morte em fevereiro de 1587 no Great Hall de Fotheringhay. A decapitação da rainha católica foi o pretexto que faltava para que Filipe II, rei da Espanha, o condestável do papado, determinasse a invasão do reino de Isabel I. Para tanto mandou preparar uma imensa frota de mais de cem navios, chamada imprevidentemente de "Invencível Armada", para atacar a Inglaterra. A operação naval revelou-se um grande desastre, um dos maiores da história naval. A esquadra católica foi destroçada pela conjunção de temporais com ataques concatenados pelos almirantes ingleses. A Inglaterra viu-se a salvo da invasão. O conflito teológico que separava católicos e protestantes saltou assim de patamar. Até aquele episódio os rivais de fé lutavam dentro dos seus respectivos reinos (várias guerras civis haviam eclodido na Alemanha e na França) a partir de então eram reinos inteiros que entravam em guerra entre si, preparando o caminho para a grande tragédia que se deu quase em seguida: a Guerra dos Trinta anos (1618-1648), uma guerra pan-européia entre estados protestantes contra estados católicos.
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Fawkes empilhando barris de pólvora
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Todavia, mesmo com o fracasso da conspiração montada ao redor de Mary Stuart, os católicos liderados por Robert Catesby não desistiram de atentar contra o trono inglês. Frustrados com a política repressiva antipapista do novo rei, Jaime I (filho de Mary Stuart que ascendera ao reino britânico no lugar da sua prima de segundo grau Isabel I, unindo assim as duas coroas, a escocesa e a inglesa, formando o United Kindom), que determinara a expulsão de todos os padres, um reduzido grupo de conspiradores chefiados por John Grandt, decidiu explodir o prédio em que se reunia o parlamento britânico (*). A data escolhida por eles era exatamente o dia em que o rei Jaime estaria presente para pronunciar a fala da abertura das atividades da House of Parliament, o 5 de novembro, esperando, num só golpe, por tudo pelos ares: o monarca e os parlamentares.
Paralelamente a isso eles fomentariam uma revolta do partido católico no norte do reino e até cogitaram em receber apoio da esquadra espanhola. No trono vacante imaginavam colocar a princesa Isabel, a filha católica de Jaime I. Todavia eles foram denunciados por uma integrante do grupo que se fazia passar por conspirador e denunciou-os. As autoridades prenderam em flagrante o soldado Guy Fawkes, um mercenário que estivera a serviço da Espanha, quando ele acertava a posição de um dos 36 barris de pólvora empilhados no porão do prédio a ser explodido.Ao abortarem a tempo o atentado evitaram que o ato terrorista, numa só explosão, decapitasse os dois poderes do Reino Unido: o rei e os deputados.
Foi a partir de 1607, um ano depois da execução e esquartejamento de Guy Fawkes e sete dos seus companheiros, ocorrida em 30 de janeiro de 1606, que a população de Londres começou a celebrar o fracasso do atentado a cada dia 5 de novembro por meio da Bonfire Night, noite em que acendem fogueiras e lançam fogos de artifício para externar seu contentamento. Guy Fawkes tornou-se a representação simbólica do traidor, do Judas capaz de entregar a Grã-Bretanha às potências do catolicismo inimigo: a Espanha e o Papado.
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Fawkes e os conspiradores do partido católico
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Deste modo explica-se a pouca presença do anti-semitismo na Inglaterra ao fato de terem sido os católicos, como Guy Fawkes, quem assumiram a desgraçada função de serem os possíveis bodes expiatórios do reino visto a participação deles na abortada conspiração da pólvora.
(*) Os principais conspiradores eram: Robert and Robert Wintour, Thomas Percy, Christopher and John Wright, Francis Tresham, Everard Digby, Ambrose Rookwood, Thomas Bates, Robert Keyes, Hugh Owen, John Grant (o homem que foi o verdadeiro cabeça da conspiração), e Robert Catesby.
(**) Coincidentemente, 380 anos depois do fracasso da Conspiração da Pólvora, por igual foi um grupo de católicos, os militantes do IRA ( o Exército Republicano Irlandês), quem tentou exterminar com uma bomba-relógio a Primeira Ministra britânica Margaret Tatcher, por ocasião de uma reunião do partido conservador e do gabinete de governo realizada no Grand Hotel de Brighton no sul da ilha da Inglaterra, num atentado cometido em 12 de outubro de 1984 que matou 5 pessoas e feriou 30 outras, sem que a srª Tatcher fosse todavia atingida.
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