O Herói e o Sábio no Mundo Greco-romano
A literatura ocidental deve seus primeiros passos às narrativas deixadas sobre os feitos extraordinários do heróis gregos e depois romanos, como também, em seguida, pelo registro da vida e do pensamento dos homens sábios daquela época. Desta foram, por meio desses antípodas, o herói, jovem, corajoso e destemido, e o sábio, maduro, introspectivo e solitário, que a cultura escrita desde então se afirmou.
Ulisses e Aquiles
"Não há, todavia, razão para ver nos deuses homéricos uma invenção puramente subjetiva, um simples fogo de imaginação: tais deuses têm as suas raízes no espírito e nas crenças do povo grego e assentam numa base religiosa nacional. São potências e forças absolutas, representam o que havia de mais elevado nos ideais dos gregos, a própria essência da beleza que o poeta diretamente recebeu das musas."
G. F. Hegel - Estética: A arte clássica e a arte romântica
"Canta para mim ó Musa, o varão industrioso que, depois de haver saqueado a cidade sagrada de Tróade, vagueou errante por inúmeras regiões...", assim expressou-se Homero, ao narrar a saga de Ulisses, na Odisséia, que passou por aventuras mil antes de retornar para a ilha de Ítaca, onde ele era rei. Era a mesma invocação quando Homero descreveu, num outro grande épico, A Ilíada, a grande cólera do feroz Aquiles.
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O herói é alguém fantástico
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Esses dois livros, os pilares em que se sustenta a literatura ocidental, que juntos perfazem mais de 27 mil versos, a
Odisséia e
A Ilíada, de certo modo não são senão duas grandes biografias constituídas com a função de enaltecer o herói para celebrar o homem extraordinário, cujos predicados incomuns o colocam muito acima dos demais. Aquiles, o guerreiro imbatível, possuía, com exceção do seu calcanhar, um corpo imune aos ferimentos, enquanto que Ulisses, o rei de Ítaca, personificava a astúcia e a coragem exemplar dos marinheiros gregos.
Presentes na Tragédia e na Invocação
Tais super-homens imaginários, os heróis, não foram apenas incensados pela épica, pois a tragédia ática de Ésquilo e Sófocles igualmente os acolheu e os celebrou, só que em seus momentos de queda, de dor ou de desespero.
O povo grego seguidamente invocava a presença deles acreditando que, quando em perigo, os heróis abandonavam a morada de Hades - o mundo dos mortos - e vinham, ombro a ombro, lutar ao seu lado, ao lado dos vivos. Os pais repetiam os feitos deles para os seus filhos obrigando-os a memorizar as incríveis façanhas para que neles se inspirassem a fim de levar uma vida destemida. Os heróis eram homens divinizados, quando não semideuses, imortalizados nos versos de um rapsodo que peregrinava de ágora em ágora, de paço em paço, a celebrar-lhes as proezas, pois em suas origens mais remotas o verso foi um amante servil da coragem.
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