Os Gênios e os Truques Óticos
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Aula de cirurgia na The Agnew Clinic (tela de Thomas Eakins, 1889)
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Num sábado de novembro de 2001, frente a uma platéia que lotava o
Tischman Auditorium, transbordante em celebridades do mundo cultural e intelectual de Nova York, o pintor inglês David Hockney apresentou uma tese polêmica, uma parte considerável dos grandes pintores do passado, do flamengo Van Eyck ao norte-americano Thomas Eakins, passando pelo italiano Caravaggio, assegurou ele, recorreram a inúmeros truques óticos, como espelhos convexos, que lhes permitiram reproduzir fotograficamente figuras e paisagens. Portanto, concluiu-se dessa afirmação, a maioria deles, pelos menos dos tidos como artistas realistas ou naturalistas, lançou mãos de instrumentos tais que, se comprovado, os rebaixariam à posição de copiadores, e não de gênios da pintura. Situação, aliás, já afirmada por Platão, quando do seu comentário sobre as artes - a poesia, a pintura e a escultura - serem mera imitação de terceira ordem.
Ingres fotógrafo
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Ingres, retrato ou fotografia?
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As inquietações de David Hockney, de resto um artista sem grande talento, começaram quando ele, no ano de 1998, buscando inspiração em alguns retratos de Jean-Auguste Ingres (1780-1867), da escola realista de Paris, por mais que se esforçasse concluiu que não conseguia atingir a técnica do francês. Hockney deu para pensar que aquela perfeição, o detalhismo preciso, milimetricamente exato das expressões faciais, só podia resultar de um recurso ótico qualquer utilizado pelo pintor. Não eram pois figuras desenhadas a olho nu. A fidelidade do desenho era tanta, a riqueza das expressões dos modelos era tão veraz, que, concluiu ele, só podiam resultar da utilização de espelhos côncavos, lentes convergentes, ou de câmaras escuras. Instrumentos, diga-se, muito comuns na era pré-fotográfica. Senão, como se fosse uma antecipação de Andy Wahrol, Ingres teria decalcado seus retratos diretamente da fotografia, invento revolucionário do qual o francês fora contemporâneo e que se difundia pela Europa desde que surgira o daguerreótipo, em 1839.
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