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Críticos e Ensaístas da Cultura Ocidental - Mikhail Bakhtin
A série de biografias de críticos e ensaístas da moderna cultura ocidental é uma relação eclética. Nela constam historiadores, críticos, ensaístas e escritores das mais diversas procedências (alemães, americanos, brasileiros, espanhóis, franceses, ingleses, italianos, latino-americanos, suíços) identificados com a crítica ,com a história da cultura e com a teoria das artes (arquitetura, pintura, escultura ou música). De um modo geral, podemos classificá-los, no trato como abordam as artes e a cultura, entre os que seguem a escola sociológica, os da escola estética/simbológica e, por fim, os da escola psicológica. Conheça um pouco mais sobre Mikhail Bakhtin.
Crítico e historiador da literatura nascido na Rússia. Teriam sido as impressionantes manifestações populares que ele testemunho em São Petersburgo nos anos da Revolução Bolchevique que lhe abriram o horizonte para uma percepção diferenciada da estética. Num dos seus mais afamados ensaios, voltou-se para a época da renascença francesa, enfocando Rabelais, tido por ele como o autor mais popular e democrático daqueles tempos, pois sabia conduzir a narrativa com um pé na antiguidade e outro em meio aos cenários populares, de rua. Habilitou-se como nenhum outro autor daquele século a saber alternar expressões eruditas (com uso de forte ironia) com o linguajar comum da plebe urbana. Rabelais usou o riso como um instrumento para expor os ridículos da corte e da nobreza, bem como retratou de modo implacável a fala pseudo-erudita e incompreensível dos acadêmicos (os da Sorbone).Atraiu-o naquele famoso escritor, a multiplicidade das manifestações da gente comum retratada por ele, incluindo os ditos grosseiros e a tendência a registrar a carnavalização das coisas, como se via nas feiras, nos circos e no teatro popular de rua. O mesmo sentiu presente na obra de Dostoievski, apontando seus romances como um fenômeno ímpar na literatura visto que não havia nele um narrador central, como no romance tradicional, mas sim um conjunto de vozes (polifonia) que, relacionando-se umas com as outras, assumiam a função de conduzir o enredo. Enfatizou que os processos de comunicação resultam de uma "retórica dialógica", produto de uma dialética da intercomunicação entre os atores que se fazem presentes no romance, diferente da retórica clássica (unidimensional e impositiva). Bakhtin, recorrendo a uma expressão de Gramsci, foi um intelectual orgânico gerado pela Revolução de 1917, apresentando um modo diferente de ver a arte a partir das concentrações de rua e dos espetáculos ao ar livre levados a efeito pelo novo regime (o que não o poupou de ser perseguido pelo governo de Stalin que o desterrou na o Cazaquistão nos anos trinta). Obras: "Marxismo e Filosofia da Linguagem" (1928); "Problemas da poética de Dostoievski" (1936); "A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais" ( 1941); "Teoria da Estética da Novela"; "Questões de Literatura e Estética".
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