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Balzac legitimista
Todavia a reverência com que o general foi tratado por Balzac ao longo dos seus escritos não fez dele um bonapartista. Ao contrário, ele manteve-se sempre como um católico legitimista, quer dizer, um aderente da monarquia dos Bourbons, derrotada pela revolução de 1789, e cujo trono foi restaurado graças às baionetas dos soberanos estrangeiros depois do dêbacle de Napoleão em Waterloo, em 1815. Saltava aos olhos dele, porém, o fato de que a França alcançara suas glórias com o imperador e não com os medíocres e reacionários reis Bourbons, Luís XVIII e Carlos X, que o sucederam e com quem coube Balzac conviver no período da Restauração (1815-1830). Uma alma imaginativa, feérica e borbulhante, como a de Balzac não poderia jamais de deixar de inclinar suas simpatia pela figura do imperador, de deixar-se dominar por aquela força da natureza que parecia levar tudo adiante, submetendo os homens e o destino a sua vontade férrea. Portanto, nada de estranhar-se ter Balzac, leitor infatigável, começado a coletar desde 1830 todas as frases atribuídas a Napoleão que conseguiu encontrar nos jornais, nas revistas ou nos livros de memórias dedicadas ao imperador falecido. Quem patrocinou a edição das Maximes et pensées de Napoleón, compradas de Balzac, foi um certo Monsieur Gaudy, um homem poderoso do bairro onde o escritor vivia e que estava atrás de reconhecimento público. Para o escritor também foi um achado, visto que embolsou um prêmio de 4 mil francos dados pelo governo do rei Luís Felipe. E foi assim que essas mais de 500 frases agrupadas por ele ganharam o mundo.
Balzac, H. – Máximas e sentenças de Napoleão, P.Alegre, LP&M, 2004Bardeche, Maurice, Balzac, Paris, Julliard, 1980 Robb, Graham – Balzac, uma biografia, S.Paulo, Cia das letras, 1995
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