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Lord Acton e a marcha da liberdade - Os principais desafios da historia moderna

Clio, a musa da Historia
Entendendo que vivia numa época excepcional, diferente do que tudo que houvera antes, estabeleceu alguns pontos que, para ele, representavam os principais desafios para o historiador dos novos tempos:


1 – devido a estarmos perante um verdadeiro dilúvio de documentos, novos materiais e informações diversas, jamais conhecidas antes, isto tudo impedia de uma só mente ter um domínio completo, universal.


2 – A grande tarefa não era somente “acumular material”, mas desenvolver a arte da investigação, procurando discernir o falso do verdadeiro, e a certeza da dúvida. A descoberta de material novo não era tão importante quanto a prática da analise critica sobre a massa dos documentos descobertos.


3 – a Doutrina da Imparcialidade. Se a historia era dependente dos documentos as opiniões não o eram. Mesmo reconhecendo a influência das idéias na política e na religião (a força da ideologia), devemos entender que elas não são necessariamente verdadeiras, o que não implica elas não serem respeitadas. Para ele Clio, a musa da história, deveria vir sempre com a venda da imparcialidade amarrada sobre os olhos.

A História Moderna de Cambridge

Em 1896, convidaram-no para, com pela autonomia, encarregar-se da organização de um grande projeto de história moderna a ser editado pela Universidade de Cambridge, exatamente a cadeira em que ele era Regius Professorship. Lord Acton tratou então de mobilizar o que havia de melhor entre os historiadores da época. Numa lista juntou 120 nomes, todos eles grandes especialistas. Lord Acton porém era convicto de que um bom historiador, alguém de primeira classe, era capaz de escrever sobre qualquer período histórico, desde que sua condição preliminar fosse a imparcialidade e que privilegiassem a função das idéias nos destinos das sociedades. Rejeitando a história feita pelos Grandes Homens (em carta a H.M.Buttler, um colega, disse que “ os grandes homens da História não eram homens bons”), entendeu-a como um fenômeno somente explicado aos olhos da marcha universal da liberdade. Como ponto de partida desta grande aventura intelectual que tornou-se a Modern History of Cambridge, ele fixou como o primeiro volume da vastíssima obra, o Renascimento, pois foi naquela época que surgiram Colombo, Maquiavel, Erasmo, Lutero e Copérnico, os titãs que inauguraram os nossos tempos, rompendo com as amarras impostas pelas distâncias náuticas, com a enganosa sacralização do poder e dos evangelhos, com o predomínio da Igreja e com o imobilismo da ciência geocêntrica. Eles foram “os catalisadores da libertação da sociedade do passado” (Inaugural Lecture on the Study of History, 1895).
Em abril de 1901, aos 67 anos, Lord Acton sofreu seu primeiro ataque que fez com que seu filho, em carta, o descomprometesse da organização dos tomos seguintes. Em 1902, justo no ano em que ele faleceu, o primeiro volume da série deixou o prelo. Desde então, faz um século, grandes coleções de história, reunindo especialistas de países cada vez mais diferentes, multiplicaram-se em todas as línguas, espalhando assim o desejo de Lord Acton de reunir erudição, especialização, e liberdade de pensamento num só movimento universal, celebrando o que ele denominou de a Lei da Inovação, isto é, o mundo moderno.

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