O kosmokói, o cidadão do mundo - Um estado para o gênero humano por inteiro
Recomendava então, abolida a escravidão, que se ampliasse a nossa concepção de fraternidade para congregar num só estado o gênero humano inteiro. Para atingir este momento supremo de elevação, o espirito deve necessariamente desprender-se dos localismos e das brigas de aldeia. Sobrepairando bem acima das fronteiras, das cúpulas e dos símbolos das igrejas, das mesquinharias patrióticas, das bravatas guerreiras, da cupidez dos interesses mercantis, ele deve ir ao encontro, lá do outro lado do mundo, daquele desconhecido, de quem não se sabe nem o nome nem o sexo, mas sabe-se um igual. Nas vésperas da entrada dessa nova rodada de mais mil anos, acumulamos as condições, pelo menos tecnicamente, de realizarmos o ideal universalista de Zenão. Fomos ao longo da história, o polites, da cidade-estado grega; o civis da Roma republicana; o vassalo do suserano feudal; o súdito dos monarcas dinásticos; o cidadão do estado-nacional, todas elas posições mesquinhas se compararmos com o que poderemos vir a ser neste fantástico terceiro milênio que nos aguarda: o kosmokói, o cosmopolita, aquele que fará do planeta inteiro a sua pátria.
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