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O governo de Vargas era forte
Quando Prestes, em 26 de novembro de 1935, passou as ordens para que o tenente Agildo Barata rebelasse o quartel do 3º R.I. da Praia Vermelha, os insurgentes não só se alçaram contra um Exército em prontidão, como viram que as massas os ignoraram. Os trabalhadores brasileiros, aquelas alturas, depositavam suas esperanças não numa revolução armada mas no projeto reformista de Getúlio Vargas (como a jornada de trabalho de 8 horas, a Justiça do Trabalho, aposentadoria, assistência social, etc...).Os rebeldes vermelhos tiveram pela frente um governo forte. Um regime que havia vencido a revolução de 1930 e, mais recentemente, derrotado a mais poderosa força político-militar jamais mobilizada na história do Brasil — a da oligarquia paulista. O govenro de Vargas, portanto, não se encontrava cambaleante e desmoralizado, mas sim fortalecido por significativas e sucessivas vitórias. Não deixa de ser impressionante o enorme equívoco dos que acreditavam na possibilidade de haver êxito na aliança entre alguns oficiais prestistas e militantes de um partido pequeno, sem nenhum enraizamento na massa. Como os líderes comunistas chegaram a imaginar em algum momento que fossem capazes de derrubar Getúlio Vargas? Um governo que não fazia dois anos havia levado à derrota o mais poderoso estado da União. Se as forças que representavam os poderes do Capital não conseguiram dobrar Vargas, muito menos teriam chance os que se apresentavam como a vanguarda do Trabalho. Prestes, todavia, estava muito seguro que, graças ao seu carisma e seu nome legendário, as inexistentes forças objetivas se curvariam perante a vontade insurgente do "Cavaleiro da Esperança". Acreditava no voluntarismo, no gesto da audácia que poderia levar tudo de roldão. O resultado, no entanto, foi desastroso. O levante, feito em nome da Aliança Nacional Libertadora, que tinha como meta deter o avanço do fascismo, desbaratado com relativa facilidade pelo Exército, que em menos de uma semana colocou a maioria dos insurgentes na cadeia, terminou por acelerar a implantação de um regime pró-fascista. Em 10 de novembro de 1937, quase dois anos depois, Getúlio Vargas, alegando a existência de uma nova conspiração comunista materializada pela descoberta do Plano Cohen (um plano apócrifo apresentado pelo oficial integralista Olympio Mourão Fco.), proclamou o Estado Novo. O fracasso do "novembraço" de 1935 converteu-se no mais retumbante desastre da esquerda brasileira e pretexto para uma consagração conjunta das forças conservadoras que, desde então, numa cerimónia de auto-de-fé anual, exorcizavam o comunismo e qualquer projeto razoavelmente progressista.
Os padecimentos de Prestes
Talvez, ninguém tenha padecido mais pelos fracassos de 1935 do que o próprio Luís Carlos Prestes. Seus amigos desertaram-no. Olga Benário, sua mulher, foi entregue por Getúlio Vargas à Gestapo (Polícia Política do Nazismo), que ordenou sua execução em 1942; Anita Leocádia, a filha dele e de Olga, nasceu numa prisão em Berlim, enquanto que dona Leocádia, a mãe de Prestes, morreu no exílio longe do filho preso. Ele, por sua vez, ficou encarcerado por nove anos e seis meses, boa parte dos quais completamente incomunicável. Cumpriu com estoicismo um destino que nenhum personagem de tragédia grega invejaria, e seu fracasso em 1935 deixou como legado definitivo a inviabilidade do Partido Comunista de vir algum dia a ser poder no Brasil.
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