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Brasil, entre Normandos e Portugueses
Durante a maior parte do século XVI, as costas do Brasil viram-se palco de uma intensa disputa entre marinheiros normandos e marinheiros portugueses. Num primeiro momento, a rivalidade entre eles deu-se em função da extração do pau-brasil, mas em seguida motivações religiosas também se somaram para atiçar ainda mais a luta pela posse do Brasil. Entrementes, a baia de Guanabara serviu de palco, a partir de 1555, à primeira tentativa dos franceses de estabelecerem uma colônia que não se dedicasse exclusivamente à extração das riquezas locais mas que também servisse como uma espécie de abrigo aberto aos desamparados da Europa: a França Antártica.
A descoberta francesa do Brasil
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Naus francesas e lusas disputavam o Brasil
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"Algum dia eu abandonarei esse mundo? E me entregarei ao acaso à fortuna das ondas/Para poder desembarcar na margem onde Villegagnon sobre o polo Antártico semeou vosso nome" E.Ronstand - Ode à Odete de Coligny (filha do almirante Coligny), 1562.
Numa certa altura do ano de 1847, ao remexer em antigos arquivos da aduana colocados na Biblioteca do Arsenal de Honfleur, um dos tantos portos da Normandia, situado na costa Atlântica, um pesquisador chamado Paul Lacroix deparou-se com um sensacional relatório. Era obrigação dos nautas franceses, ao retornarem das suas aventuras pelo Oceano, darem satisfação às autoridade locais por quais estranhas águas singraram. Pois uma dessas ditas Ordonnances, intitulada Relação autêntica da Declaração de viagem às novas terras das Índias, de 1505, ao tempo do reinado de Luís XII ( 1498-1515), assinada pelo capitão Binot Paulmier de Gonneville, trazia um informação espantosa: entre 1504 e 1505, seguramente ele velejara pelas costas do Brasil. Até uma primeira missa, com cruz erguida e tudo o mais, teria sido rezada na ocasião da páscoa do ano de 1504 por esse Cabral normando numa praia do Novo Mundo para assegurar sua posse ao rei da França. Estima-se que tenha aportado na Ilha de São Francisco do Sul, no litoral catarinense, em janeiro de 1504, conforme deixou escrito na sua Relation du voyage. Situação que dera-se devido ao acaso do Espor (Esperança), a nau de Gonneville, ter sofrido violento desvio, alvo de uma tempestade, quando se dirigia das ilhas Canárias para a África do Sul. (ver Leila Perrone Moyés - Vinte Luas: Viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil, 1503-1505, São Paulo, Companhia das Letras, 1992). O capitão normando e seus 60 homens ficaram lá na companhia dos índios carijós, gente mansa, por seis meses, recuperando-se antes de retomarem a viagem de volta, subindo pela costa brasileira. Viagem esta que, diga-se, apesar de mencionar a découverture d´une grande terre, não teve maiores conseqüências. Todavia, era indicativa das diversas expedições feitas pela gente normanda para os lados do Brasil. Naquela época, nos albores do século 16, Portugal ainda não havia tomado uma decisão mais drástica tentando impedir as incursões dos marinheiros de Hontefleur, de Dieppe, ou do porto de Le Havre. Tanto é que arrendou a Terra de Santa Cruz para um consórcio de mercadores comandados por Fernando de Noronha.
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