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A reação à revolução cubana
De acordo com a Doutrina da Segurança Nacional (National Security) desenvolvida pelo Pentágono, todos os movimentos políticos que ocorriam no mundo afetavam de algum modo os interesses estratégicos dos Estados Unidos. A Revolução Cubana de 1959, e as medidas sociais e políticas tomadas pelo regime de Fidel Castro, por exemplo, foram interpretadas pelos americanos como uma extensão dos projetos soviéticos de dominação da América Latina, região historicamente vinculada e subordinada a eles. Em vista disso, para evitar que o vírus daquela revolução contaminasse os latino-americanos, a administração John Kennedy adotou duas políticas: a primeira delas foi o lançamento da Aliança para o Progresso, que estimulava reformas sociais e estruturais na América Latina. A outra foi a Doutrina da Contra-insurgência, segundo a qual mecanismos de repressão à luta guerrilheira passariam a ser executados pelas forças armadas latino-americanas instruídas e supervisionadas por instrutores norte-americanos. Para tanto, o Departamento de Estado abriu a Escola das Americas, no Panamá, centro de instrução militar e ideológica por onde passou grande parte da liderança militar do continente (um levantamento feito posteriormente, indicou que dos 500 altos oficiais que lá cursaram, mais de 380 deles assumiram funções de chefia nos regimes de força que foram implantados na América Latina) Foi justamente por isso que ela terminou denominada como a Escola dos Ditadores. Precisava-se pois reciclar a instrução militar. Até a Revolução Cubana, ela ainda estava orientada para a guerra convencional. O sucesso da guerrilha de Fidel Castro provocara um alarma, obrigando a que o adestramento dos conscritos fosse orientado no sentido do combate na selva ou em operações especiais de comando.
Embriagados pela revolução
As esquerdas não-comunistas latino-americanas, por sua vez, entusiasmadas com o sucesso dos cubanos, abandonaram a estrada do reformismo político e manifestaram-se pela solução da “luta armada”. Em todo o continente, exaltados pela façanha de Fidel Castro, embriagados pelas possibilidades revolucionárias, surgiram lideranças guerrilheiras tais como o padre Camilo Torres na Colómbia, Douglas Bravo na Venezuela, Carlos Maringhela e Carlos Lamarca no Brasil, Mário Firmenich na Argentina ou Raul Sendic no Uruguai, que agiram distantes dos partidos comunistas locais, tidos por eles como superados e ineficazes. Convictos estavam de que as transformações sociais desejadas passavam inevitavelmente pela ponta dos fuzis. Inclinação essa que serviu de pretexto para que fossem combatidos e exterminados por Estados de Segurança Nacional, instalados e controlados pelas Forças Armadas com apoio norte-americano.
O cenário brasileiro em 1963-64
Depois de ter recuperado seus plenos poderes com o plebiscito de janeiro de 1963, a luta política entre esquerda e direita se intensificou e se disseminou por todo o Brasil. Os governadores dos Estados da Guanabara (Carlos Lacerda) Minas Gerais (Magalhães Pinto), São Paulo (Ademar de Barros), Paraná (Nei Braga) e Rio Grande do Sul (Ildo Meneghetti), todos eles anti-janguistas, praticamente desligaram-se do poder federal, recebendo aportes financeiros da Aliança para o Progresso diretamente do Estados Unidos, sem que Brasília fosse consultada ou comunicada. No interior das Forças Armadas pode-se dizer que, desde os acontecimentos de 1961 , ocorrera uma nítida separação entre a oficialidade anti-janguista e o resto da tropa (suboficiais, sargentos, cabos e peças), quase sempre inclinada para Goulart. Cisão essa que gerava uma enorme intranquilidade na corporação fardada. O general Argemiro de Assis Brasil, Chefe da Casa Militar e articulador do governo, montara um plano para colocar oficiais generais nos principais postos-chave que fossem ideologicamente afinados com o Presidente, garantindo assim o chamado Dispositivo Militar, formado mais ou menos por “uns 20 generais” (que, na prática, fracassou rotundamente).
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