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Um novo poder em Brasília

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Enquanto isto, em Brasília, o general Artur da Costa e Silva, oficialmente Ministro da Guerra da presidência Ranieri Mazzilli (que mais uma vez substituiu João Goulart), autodesignado Comandante-em-Chefe da Revolução, recebia em reunião os líderes civis que haviam apoiado o golpe. O governador carioca Carlos Lacerda, falando em nome deles todos, indicou o general Humberto Castello Branco como presidente temporário, até que ocorressem as novas eleições marcadas para 1965.

Naquele momento havia ainda a crença de que a intervenção militar era apenas cirúrgica, transitória. Esperavam que as Forças Armadas se limitassem a fazer uma “limpeza geral” na vida pública, expurgando dela os populistas e os comunistas, restaurando o mais breve possível o poder aos civis a serem eleitos futuramente numa ordem “sanada”.

Supunham, talvez, estar revivendo outro 29 de outubro de 1945, quando Getúlio Vargas fora deposto pelo Exército sem derramamento de sangue. Nenhum dos presentes naquela sala sequer conjeturou que aquilo era apenas o primeiro ato de um regime que se estenderia por um pouco mais de vinte anos.

A operação que não houve

Graças a pesquisa feita por Marcos Sá Corrêa, jornalista do JB, nos arquivos da Fundação Lyndon Johnson, soube-se que os americanos haviam dado inicio a operação “Brother Sam” para apoiar os militares brasileiros. Num primeiro momento, a frota americana capitaneada pelo porta-aviões Forrestal, partindo das bases no Caribe, se limitaria a dar um apoio logístico, abastecendo com combustíveis e munições os quartéis e bases rebelados.

Como o sucesso do golpe foi tão aplastante, os comandantes navais receberam ordem de suspendê-la visto não ser necessário continuar no procedimento: não houve resistência do govenro. Como dissera então o coronel Golbery do Couto e Silva, numa reunião prévia dos conspiradores realizada quase nas vésperas dos acontecimentos de 31 de março, “tudo vai cair como um castelo de cartas”.

Golpe? Revolução? Contra-revolução?

Os vencedores do Movimento de 1964 que derrubou João Goulart em 31 de março, sempre se referiram a si mesmos como “revolucionários”. De maneira alguma, asseguraram, poderia dizer-se que o que havia ocorrido era um golpe militar. Tratava-se, isso sim, do começo de uma verdadeira revolução, uma transformação copernicana que não apenas salvou o país do comunismo internacional, como fez o Brasil, livre do populismo e da ameaça esquerdista, ingressar na verdadeira modernidade, capitalista, cristã e ocidental.

O Movimento de 1964, diziam, emparelhou o Brasil entre as oito maiores potência do sistema capitalista. Os derrotados, por seu lado, nunca deixaram de tratar os eventos de março de 1964 ("o golpe do 1º de abril") como um "golpe militar", similar a tantos outros que infelicitaram a história da America Latina. Sendo que toda aquela participação de multidões nas ruas tinha sido fabricada por uma hábil manobra de convencimento dos meios de comunicação a soldo da CIA e dos burgueses, com o intento de desestabilizar o governo Goulart. Mas, afinal das coisas, O Movimento de 1964 foi uma revolução ou uma contra-revolução?

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