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Guararapes: Maurisstad
A presença do conde em Recife, no entanto, foi a epifania de Apolo nos trópicos. Com ele vieram artistas como Franz Post, e naturalistas como o dr. Marcgraf e o dr. Piso (que realizaram a primeira expedição científica no nordeste brasileiro), construiu palácios, pontes e belos prédios públicos, cujo fausto, até hoje, os recifenses, nostálgicos, celebram. Esperava, o príncipe, fazer da cidade remodelada e rebatizada como Maurisstad, a Cidade Maurícia, a base das operações de conquista dos batavos no continente. Desacertado porém com as chefias da W.I.C., que o acusaram de perdulário, Nassau retirou-se em 1644. Para historiadores como José Honório Rodrigues, Nassau – além de ter sido o melhor governante que o Brasil Colonial possuiu - representou a chegada ao Brasil do Renascimento (ainda que tardia de mais de século e meio). A longa presença holandesa, que se estendeu até 1654, e os conflitos e guerras de emboscadas que ela provocou, fez com que centenas e centenas de escravos debandassem para os quilombos, fugindo bem para o interior, pondo em risco a produção açucareira. Era, o comércios dos açúcares, um dos maiores negócios do mundo de então, com um volume de comercialização superior a um milhão de arrobas. A restauração da independência portuguesa em 1640, reacendeu os ânimos dos reinóis e dos mazombos. Os empréstimos, impagáveis, que os donos de engenho e lavradores brasileiros assumiram com os ocupantes holandeses, serviram-lhes para unir forças. Antes de ser um levante nativista, como então o padre Vieira percebera, tratou-se de uma revolta de inadimplentes.
Indenizando os holandeses
Batidos nas duas batalhas de Guararapes, a primeira em 19 de abril de 1648 e a segunda em 17 de fevereiro de 1649, pelo mestre-de-campo Francisco Barreto de Meneses, os holandeses, perdidos o agreste e a zona da mata, recolheram-se para Recife onde resistiram ainda por uns anos até capitularem em 1654. O curioso aconteceu depois. O próprio vencedor de Guararapes, Barreto de Menezes saiu a campo de chapéu na mão para recolher entre os donos de engenho a quantia de 140 mil cruzados para dar uma compensação inicial aos invasores. O padre Vieira, antevendo as complicações financeiras que adviriam da rebeldia dos senhores de engenho e esquecido do seu notável sermão de 1640, o Pelo Bom Sucesso das Armas Portuguesas - no qual, como um Jó nos trópicos, interpelou ninguém menos do que Deus por sua indiferença pela causa católica - , chegou a sugerir a Coroa, num parecer de 1648 chamado Papel Forte, que “damos Pernambuco aos holandeses, e não dado, senão vendido pelas conveniências da paz”. Em 1662, oito anos depois da rendição deles no campina do Taborda, Portugal concordou em indenizá-los com 4 milhões de cruzados, metade deles extraídos dos recursos do Brasil. Assim, pela corte de Lisboa, o Nordeste teria ficado nas mãos dos batavos e hoje esse nosso continente estaria dividido por religião e língua,. não fosse a bravura dos nativistas do Agreste, de Recife e de Olinda.
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