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Garibaldi e a legião italiana
No ano de 1843 formou-se em Montevidéu, por empenho do condottiero Giuseppe Garibaldi que lá se encontrava exilado, um singular corpo revolucionário: a Legião italiana. Tratava-se de um pequena força de 400 homens, todos eles voluntários, que fugidos da Itália haviam procurado refúgio no Rio da Prata. Cinco anos depois, uma parte deles, liderados por Garibaldi, embarcou de volta para a Itália para irem participar da revolução de 1848, a “Primavera dos Povos”. Poucos grêmios militares tiveram um destino tão estranho, aventureiro e glorioso como os que fizeram parte da Legião Italiana.
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Garibaldi em 1848
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"L'insofferenza delle popolazioni italiane al dominio straniero, che fosse al colmo, già era manifesto in tutte le corrispondenze che giungevano nel Plata. L'idea del ritorno in patria e la speranza di poter offrire il nostro braccio alla sua redenzione da molto tempo facevan palpitare l'anime nostre".
(“Que o sofrimento do povo itálico submetido ao domínio estrangeiro tivesse chegado ao seu limite, já encontrava-se manifesto em toda a correspondência que chegava ao Prata. A idéia de um retorno à pátria e a esperança de poder oferecer o nosso braço a sua redenção, há muito tempo fazia palpitar a nossa alma.”) Garibaldi – Memória de Garibaldi Licenciando-se da Revolução Farroupilha em abril de 1841, ocasião em que Bento Gonçalves cedeu-lhe em agradecimento pelos serviços prestados uma partilha de 900 bois, Giuseppe Garibaldi e sua mulher Anita, puseram-se, à duras penas, a tropear a manada por 650 quilômetros à caminho de Montevidéu. O casal, inexperiente no oficio, após 50 dias de cavalgada chegou à capital uruguaia com somente 300 couros. Em pouco tempo estavam reduzidos à pobreza, morando nos limites da modéstia. Garibaldi, já precedido por sua fama de homem legendário, não tardou em enturmar-se com a numerosa colônia de exilados italianos que por lá se encontravam e o tratavam como a um herói. Provisoriamente aceitou uma colocação como professor, mas teve também que atarefar-se como vendedor de bugigangas para, batendo de casa em casa, reforçar o magro orçamento doméstico. Paradoxalmente a sua situação alterou-se quando a cidade de Montevidéu foi posta a sitio pela marinha argentina. Parecia que as guerras saiam ao encalço de Garibaldi onde ele estivesse. A armada inimiga, comandada pelo Almirante Brown, atravessando o rio da Prata, viera em auxilio do caudilho Manuel Oribe, chefe do partido blanco e inimigo do presidente Frutuoso Rivera, cacique dos colorados (dois partidos que viviam envolvidos as turras em guerras civis). Era o início do que na história uruguaia ficou conhecido como a Grande Guerra (1843-1851), o longo conflito entre blancos e colorados pelo controle político da República Oriental do Uruguai que recém se tornara independente, em 1831. Uma guerra que opôs os dois caudilhos, Oribe e Rivera, ensangüentando o pampa uruguaio com o morte dos patriotas. Estando a capital ameaçada, pois a cavalaria e a infantaria de Oribe mantinham-na cercada por um cinturão de acampamentos e bivaques, não demorou para que o governo uruguaio, sabedor dos feitos dele na travessia do Capivari e na tomada de Laguna, oferecesse a Garibaldi um elevado posto na marinha nacional (praticamente inexistente). Líder de homens, agradecido pela acolhida dos orientais, o famoso guerrilheiro não podia negar-se a colocar-se ao lado do governo que o prestigiara e que estava passando maus bocados. Em pouco tempo ele arregimentou os seus conterrâneos para formar a Legião Italiana, que se tornaria lendária na história do Prata e da própria Itália (*). Para uniformizar a sua gente ele recorreu a uma partida de camisas vermelhas (camicia rossa) que seriam enviadas para as charqueadas argentinas e que terminaram parando nas docas do porto de Montevidéu. Desde então aquela cor imortalizou os combatentes garibaldinos. Guerreiro anfíbio, Garibaldi saía-se bem tanto no leme dos barcos como empunhando o sabre nas cargas de cavalaria. Os combates que a Legião Italiana travou na Grande Guerra dos uruguaios, como deu-se na batalha do Salto de Santo Antônio, dado o número escasso de gente que a compunha (de 400 a 600 homens no máximo), serviram mais como diversionismo para aliviar a pressão sobre a capital do que um resultado efetivo que pudesse alterar as posições de Oribe ou o rumo da guerra. Quanto arrefeceu um pouco a pressão sobre a capital, Garibaldi recebeu a notícia vinda da Itália que os povos europeus estavam insurgindo-se por todas as partes. Convencendo Anita a embarcar, prontamente ajuntou os seus magros pertences para, atravessando o Oceano Atlântico, ir aderir ao movimento rebelde, desejando fazer parte da Revolução de 1848. Entrementes, enquanto Garibaldi lutava na Itália, a Grande Guerra uruguaia seguiu até que encerrou-se em 1851, quando o Império do Brasil declarou guerra ao ditador Rosas (que apoiava Oribe), intervindo abertamente no conflito. Derrotada a coligação Oribe-Rosas, uma paz temporária foi acertada entre os blancos e os colorados do Uruguai. (*) A Legião Italiana, grupo de homens unidos ao redor de um líder lutando por uma causa em comum, fez escola. Reforçou a idéia, defendida pelo revolucionário francês Auguste Blanqui, por Lenin e por Che Guevara, dos que afirmavam que o sucesso de uma revolução depende muito mais da decisão de uns poucos homens do que a vontade das massas.
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