Educação História por Voltaire Schilling Brasil
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Brasil
BRASIL

Garibaldi de volta à Itália

Leia mais
» Garibaldi e a legião italiana
» Garibaldi de volta à Itália
 
Pouco tempo depois do desembarque dele em Gênova, Garibaldi, vestindo a camisa vermelha e bombachas (pantal turchin), tendo um poncho branco sobre elas, acompanhando por um pequeno núcleo de camisas vermelhas da Legião Italiana, os montevideanos, rumou para Roma, onde foi eleito deputado da Assembléia Nacional, a primeira a reunir italianos de todas as partes. Ele foi um dos instigadores da proclamação da republica romana, aprovada em 9 de fevereiro de 1849, visando por fim ao poder secular que o papado exercia sobre uma parte das terras italianas – os estados pontifícios. Até um triunvirato, com a presença do incansável líder republicano Giuseppe Mazzini, é eleito para dirigir a nova república. A plataforma era unificar a Itália, afastar o poder clerical dos assuntos civis, e livrar a nação da ingerência estrangeira (os austríacos ocupavam o norte da Itália, as províncias da Lombardia e do Vêneto, e também a Toscana).

Logo, porém, a situação se inverte. As forças da repressão comandadas pelos austríacos lideram um contra-ataque ao Reino do Piemonte (a cabeça do projeto de uma Itália unificada), derrotando o seu exército na batalha de Novara, em março de 1849. Ação que termina por sepultar as esperanças dos patriotas italianos. Todas as conquistas obtidas entre 1848/9 mostraram-se nuvem de fumaça, evaporando-se na presença dos canhões e dos mosquetes da contra-revolução.

O papa Pio IX, por sua vez, lança um manifesto reclamando a devolução dos seus territórios expropriados pela república revolucionária. Atendendo ao seu apelo, a França de Luís Napoleão, o sobrinho de Bonaparte, envia, em abril de 1849, um exército com 30 mil homens para ocupar Roma, com a missão de desfazer a república e devolver o poder ao papa. Garibaldi e seus homens da Legião Italiana são os únicos a resistirem. Na praça de São Pedro ele arenga aos seus homens perfilados na sua frente:

“Onde nós estivermos, estará Roma. Mas lembrem-se de que vocês não terão nem suas casas confortáveis, nem seus cafés, nem seus jantares. Vocês dormirão freqüentemente sob as estrelas, e algumas vezes sobre a chuva... Saio de Roma. Aquele que quiser continuar a guerra contra o estrangeiro venha comigo. Não ofereço nem salário, nem acantonagem, nem provisão. Ofereço fome, sede, marchas forçadas, batalhas e morte.” (Garibaldi, a força do destino, de Max Gallo, pag. 149)

Fuga e novo exílio

Garibaldi e Anita na defesa de Roma (junho/julho de 1849)
Seguido por 1.500 combatentes, Garibaldi para não ter que render-se ao general Oudinot, que entrara em Roma em junho de 1849, decide-se pela retirada para o norte, em direção à Veneza. Acompanha-o a sua inseparável Anita, grávida de cinco meses. Perseguidos pelos franceses e pelos austríacos, escalando os montes Apeninos, eles refugiam-se na minúscula República de San Marino. Nada o detém. Tomando fôlego, ele escapa do cerco e navega num barco pesqueiro pelo mar Adriático até o pequeno porto de Magnavacca, na embocadura o rio Pó. Local onde Anita vem a falecer no dia 1º de agosto de 1849. Garibaldi, viúvo, então engendra outra fuga espetacular. Vários dos seus homens da Legião são capturados e fuzilados, enquanto ele, cruzando a Itália a pé do Adriático ao Tirreno, caminha por 37 dias escapando dos inimigos até conseguir exilar-se. Tenta ir para Tunis na África do Norte, mas, visto como homem-do- diabo, ninguém quer dar-lhe abrigo. Em 1850, ele decide rumar para os Estados Unidos (curiosamente embarca num navio chamado Waterloo, a batalha final perdida por Napoleão, em 1815).

Quando Garibaldi deu as costas para as terras da Europa, ele era um homem derrotado. Perdera Anita, a sua companheira de ideais e de lutas, enquanto que os seus três filhos ficaram ao encargo da mãe dele em Nice, cidade onde nascera em 1807. Os seus companheiros camisas-vermelha, por sua vez, estavam dispersos, presos ou mortos. Decepcionado com a falta de entusiasmo do povo miúdo da Itália, a negativa dos humildes em quererem combater ao lado dele para implantar um regime melhor, nacional e democrático, ele recordou-se da bravura dos cavaleiros farroupilhas, dos guerreiros rio-grandenses que pareciam não temer nada, nem a morte. No campo da política tudo regressara a situação anterior. O papa voltara a reassumir o poder temporal, os austríacos e os franceses continuaram mandando na Itália, e o país continuava tão dividido como antes de 1848.

Tudo parecia ter-se acabado. Ele não tinha mais os 28 anos de quando atravessou o oceano pela primeira vez para chegar ao Brasil e, em seguida ir lutar com os Farroupilhas. Agora era um homem maduro, um viúvo de 43 anos, cheio de cicatrizes que não sabia direito o que iria fazer na América. No entanto, o destino iria novamente buscar Garibaldi do exílio distante para alçá-lo em aventuras ainda maiores. No dia em que ele desembarcou em Nova Iorque , a edição do NY Times de 30 de julho de 1850 registrou:

“Neste dia chegou , vindo de Liverpool, o Waterloo com Garibaldi a bordo, personalidade de renome mundial, herói de Montevidéu e defensor de Roma. Todos aqueles que conhecem o seu caráter cavalheiresco e os serviços que prestou à causa da liberdade lhe reservarão a acolhida que lhe é devida”.

página anterior     
Veja todos os artigos | Voltar