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Madri: atacando a fortaleza
Quanto a população de Madri inteirou-se da rebelião das casernas, milhares de operários, de funcionários, de lojistas, de diaristas, ao invés de se acovardarem, uniram-se atendendo aos chamados dos sindicatos, da CNT (Confederação Nacional dos Trabalhadores) e da UGT (União Geral dos Trabalhadores) para irem cercar o Quartel da Montanha. O governo republicano, depois de uma certa hesitação, acedera em entregar armas para o povo. Entre os dias 19 e 20 de julho, à tétrica sombra de 50 igrejas madrilenhas incendiadas pelos anarquistas, os ditos “los incontrolables”, travou-se uma incrível batalha ao redor do grande fortim, que, naquela ocasião, lembrou muito a Fortaleza de Bastilha assediada pelos parisienses um século e meio antes. Nos baixios encontrava-se a plebe madrilenha, armada com o que pusera a mão, de pedras à escopetas, nas seteiras da fortaleza o exército profissional disparando rajadas para todos os lados. Dolores Ibarruri, a popular La Pasionaria, percorria as ruas da capital com megafone na mão, lembrando a todos a bravura do povo local quando do levante de 12 de maio de 1808, ocasião em que seus antepassados haviam enfrentado o exército de Napoleão. “Não passarão!” exclamava ela. No dia 20 a guarnição rebelada rendeu-se. A oficialidade foi massacrada pela massa enfurecida que não parava de gritar “Avante! À luta! Avante!”. Falhara o golpe de mão em Madri.
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Bombas sobre Madri (poster republicano)
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Foi então que os lideres da Cruzada, como se autodenominava o levante nacional-fascista do general Franco, decidiram-se ordenar o bombardeio aéreo da capital. Então os céus de Madri viram-se escurecidos pelas esquadrilhas de aviões Heinkel e Junker que os nazistas haviam colocado à disposição do generalíssimo. Pois agora, depois da tragédia do dia 11 de março de 2004, a valente gente de Madri, recomposta da abominável guerra civil de 1936-9, veste novamente o luto vitima de uma outra insânia, não se sabe ainda se dos fundamentalistas do Al Qaeda ou dos etarras. Com os sentidos ainda feridos pelo estrago das explosões da Estação Antocha, a multidão, cuidando dos feridos, doando sangue, volta a reunir-se em resistência: “Não Passarão!”
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