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A conquista do Everest

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O monte Everest, com 8.848 m., o pico mais elevado da Cadeia do Himalaia, a mais alta montanha do mundo, foi escalado e finalmente conquistado, no dia 28 de maio de 1953, pelo alpinista neozelandês Hillary e por seu companheiro cerpa. Este feito ocorrido no coração da Ásia somou-se às comemorações feitas em homenagem à entronização da rainha Elizabeth II, ocorrida em Londres naquela ocasião. Vista em perspectiva, a escalada feita por um súdito da Grã-Bretanha e a festa de coroação da rainha, foram os derradeiros gestos de aventura e de pompa do Império Britânico antes da sua acelerada decadência.

Estimulo à aventura

O monte Everest

"Os ingleses de hoje, que no conjunto parecem ter renunciado a guerra, adotam um outro meio para regenerar essas forças que desapareceram: as perigosas viagens de descobrimentos, circunavegações e escaladas de montanhas [os substitutos da guerra]...a fim de levar para casa energias extras, oriundas de perigos e aventuras de toda espécie..."
Nietzsche – Humano, demasiado humano, 477, 1878.

Provavelmente foram as impressionantes circunavegações que o capitão James Cook realizou, quem injetaram nos anglo-saxãos a paixão pelos desafios incomensuráveis. Em pouco mais de dez anos, entre 1768 e 1779, ele não cessou de desbravar águas desconhecidas, ilhas e terras até então jamais vistas por um europeu, tais como a Nova Zelândia, a Austrália, as ilhas Marquesas, Tonga, o Taiti, a Nova Caledônia e as Hébridas e o Círculo Polar Antártico). Tanto é assim que até hoje o nome dos navios que aquela figura notável capitaneou, o Endeavour, o Resolution e o Discovery, inspiram o pessoal da NASA na suas conquistas espaciais.

Além disso, o sucesso dele, ainda que Cook tenha perdido a vida no Havaí, morto pelos nativos, foi publicitariamente usado como uma resposta britânica e protestante ao grande feito, realizado dois séculos e meio antes, quando em outubro de 1520, Fernando de Magalhães, tornou-se o primeiro navegante a abraçar o mundo a serviço da coroa católica da Espanha, cruzando o Atlântico em direção ao Pacífico pela passagem que hoje leva o seu nome.

Desde então, a pretexto de atender a curiosidade científica ou a simples aventura, não houve recanto do planeta a quem os britânicos e seus primos americanos deixassem em paz, enfrentando longas distâncias desérticas, ilhas perdidas em oceanos, escalando picos memoráveis, escapando de abismos, sobrevivendo à ventanias sufocantes e furores vulcânicos de toda ordem. Em dois séculos reviraram tudo o que foi possível. Nem sol nem gelo os detiveram. Como foi o caso do naturalista Charles Darwin, que, em 1831, a bordo Beagle, não só navegou por boa parte do mundo registrando observações sobre as espécies, como na volta subverteu grande parte das teorias sobre a natureza.

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