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Everest: desvendando África e Austrália

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» A conquista do Everest
» Everest: desvendando África e Austrália
 
Enquanto Burton &Speke - uma dupla de aventureiros que, para atender a Royal Geographical Society, de Londres lançou-se atrás das cabeceiras do rio Nilo, - , deram com o Lago Tanganica, uma outra formada por Burke & Wills, saindo de Melbourne a cavalo, no ano de 1861, abriu o caminho para o desconhecido norte da Austrália. Pois foi justamente num canto do Lago Tanganica, num buraco africano chamado Ujiji que, em 1871, ocorreu o célebre encontro entre o jornalista e aventureiro Henry Stanley e o desbravador Dr. Livingstone, o inglês que havia cruzado o grande continente e que era dado por perdido ou morto. Feito que imortalizou Stanley.

Era tão contagiante entre os britânicos aquela fome por paragens desconhecidas, por regiões ainda por conquistar, por montanhas a serem escaladas, que Rudyard Kipling, o bardo do Império Britânico, homenageou os seus destemidos conterrâneos com uma deliciosa narrativa cômico-trágica (The Man Who Would be King, 1888), história dos dois aventureiros, Dravot &Carnehan que, atravessando a pé o Himalaia, tornam-se reis do remoto Cafiristão, uma pedreira perdida num canto elevado do Afeganistão, onde, tendo o lema “Rei segundo o nosso modo”, submeterem por algum tempo toda a população aos seus caprichos. Até mesmo um garoto inglês perdido nos matos e criado por macacos, tornado adulto tornou-se o Rei das Selvas, como foi o caso de Tarzã, o herói da história de Edgar Rice Burroughs, criado em 1912. Não havia, pois, circunstâncias em que um súdito de Sua Majestade não assumisse logo a soberania.

A derradeira conquista

Hillary e Norgay na conquista do Everest, maio de 1953
Mas, no após Segunda Guerra Mundial, o domínio britânico sobre o mundo começou a fraquejar. Seus representantes e agentes foram obrigados a sair da Índia em 1946 e, em 1949, Mao Tse-tung os humilhou, expulsando a última canhoneira inglesa que ainda navegava na China, ocupando em seguida, em 1950, o Tibete para onde o serviço secreto britânico havia emigrado depois de sair de Nova Deli. A esses desastres todos o império em retirada respondeu com a espetacular conquista do Monte Evereste, o “teto do mundo”, por Edmund Hillary e seu guia nativo, o cerpa Tenzing Norgay, ocorrida 28 de maio de 1953. Façanha que, coincidente com a coroação da rainha Elizabeth II, foi anunciada com estardalhaço aos quatro cantos do mundo para mostrar a todos que os britânicos, apesar de deuses decaídos, ainda continuavam sentindo-se os reis do mundo.

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