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EUA X Europa: no mundo de Hobbes
Os Estados Unidos, por seu lado, vivem num outro universo. Enquanto os europeus se aquecem no calor dos seus lares confortáveis e seguros, os americanos assemelham-se aqueles esquadrões policiais que, armados e equipados, chutando as portas, atirando em tudo o que se mexe, são obrigados a enfrentar as gangues dos arrabaldes. O cenário que os cerca é anárquico e brutal. Em meio a tantos outros perigos, nele pulula essa gente escura de turbante, com a barriga equipada com explosivos, tendo o Corão na mão. Isso conduz naturalmente a que a política norte-americana se incline pela coerção, pela repressão, com pouca conversa e muito cassetete. Enquanto os europeus navegam na placidez de um lago suíço, cabe à Casa Branca e ao Congresso por ordem no estado da natureza em que se encontra a maior parte do planeta, reduzido a uma situação hobbesiana, onde lobos devoram lobos. Lugar em que reina a lei do cão e não as boas normas internacionais, com suas regras e códigos de contenção aprovados por juristas europeus sofisticados em gabinetes climatizados. Essas coisas de sanções punitivas demandam tempo para serem eficazes, tempo que os Estados Unidos não têm. "A América descende de Marte", disse ele, "Europa é de Vênus.
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A América é uma águia limando as garras (caricatura)
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Os americanos, portanto, estão no pleno exercício da sua virilidade imperial, expressão natural do seu poderio guerreiro e pujança econômica. Uma macheza exuberante que obriga-os a exercitarem-se periodicamente por meio de foguetes e bombas arrasa-quarteirão, garantida pelos super-homens do corpo de fuzileiros navais, largados em qualquer parte do mundo para domar e enquadrar a bugrada arredia nas virtudes da democracia liberal. Assim enquanto a América identifica-se com a agressiva águia do oeste bravio, a gente do Velho Mundo parece-se mais a um leão aposentado, cansado das suas aventura de caça de outrora. Os europeus, portanto, são uns frouxos, uns maricas cheios de rapapés, emaranhados em problemas éticos, perdendo tempo em infindáveis e inúteis reuniões sem alcançarem nada de conclusivo, só atrapalhando o bom caminho das coisas. Enquanto isso Bronco Bill sopra a fumaça do cano do revólver e vai em frente.
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