|
Golfo: etnias e religiões do Iraque
Curdos: localizados no Norte do Iraque, formam 18% da população e lutam pela independência.Sunitas: ocupam a região central do Iraque, a área de Bagdá, e controlam o poder político. São 17% da população. Xiitas: localizam-se no Sul do Iraque e formam 65% da população do pais. Com o tempo, uma expressiva classe média de profissionais, técnicos e administradores, passou a usufruir de um excelente padrão de vida. O sucesso da sua política somou para que Saddam Hussein ambicionasse tomar o lugar do Xá Reza Pahlevi, derrubado pela revolução xiita de 1979, tornado-se no novo gendarme do Golfo Pérsico. Acreditou que, com o naufrágio do Irã, chegara a vez do Iraque tornar-se a única potência da região. Com quase 440 mil km2, e com mais de 20 milhões de habitantes, o mais bem servido país em águas de todo o Oriente Médio, rico em petróleo, dono da segunda maior reserva do mundo (estimada entre 115 e 220 bilhões de barris), Saddam Hussein imaginou ser um novo Nabucodonossor (605-562 a.C.), o famoso rei da Babilônia citado na Bíblia, que imperara sobre toda a Mesopotâmia e a Palestina há séculos passados. Daí aquela obsessão de Saddam Hussein em construir palácios luxuosos espalhados pelo Iraque, visto que Nabucodonossor ficou na história devido aos magníficos Jardins Suspensos da Babilônia.
Na entrada dos anos 80, Saddam Hussein estava pronto para ir à guerra, em nome do mundo árabe, contra os velhos rivais persas, ao tempo em que atacando as forças do aiatolá Khomeini, protegia o Mundo Sunita do expansionismo da revolução Xiita do Irã. Vencido o conflito, ele se tornaria o novo senhor do Golfo Pérsico. Naquela ocasião, os Estados Unidos, em fortes desavenças com o governo revolucionário do Irã - que desmontara o exército do Xá armado e treinado pelos americanos – apoiou o projeto de Saddam Hussein em liquidar com o Irã por meio de uma guerra-relâmpago.
A primeira guerra do Golfo Pérsico (1980-88)
|
|
|
|
Saddam Hussein, como líder dos árabes
|
"Homens mortos, não ramalhetes de flores/Cobriam os acessos/As muralhas gretadas/As portas altas, os caminhos/Tudo semeado de mortos/ Nas praças onde se reuniam multidões divertidas/Agora encontram-se dispersos.../os cadáveres se desfazem, como a gordura ao Sol." Poema anônimo – O Lamento de Ur, 2.000 a.C. A tensão entre os dois vizinhos, o Irã revolucionário-teocrático e o Iraque baazista-secular, foi quase que instantânea. Líderes religiosos mandavam mensagens de Teerã insuflando os xiitas do sul do Iraque a livrarem-se do governante "ímpio" de Bagdá. As ameaças de ambos os lados fizeram com que Saddam Hussein tomasse a iniciativa. Ao mesmo tempo em que isso se dava, o Egito, que até então fora a nação símbolo da emancipação do Oriente Médio, fora expulso da Liga Árabe em 1979, devido a sua política de reconhecimento do Estado de Israel. Fato que atiçou Saddam Hussein a empunhar o bastão da liderança árabe parecendo ao Mundo Sunita como o seu novo campeão numa guerra bem sucedida. Além disso, ao lutar contra o velho inimigo persa, a guerra serviria para forjar um real sentimento patriótico em todos os iraquianos, ao tempo em que projetava a liderança absoluta de Saddam Hussein sobre todo o país. O botim, o prêmio da guerra, seria a anexação de uns 200 quilômetros da região da fronteira que abrangia o Chatt-al-Arab, o Canal dos Árabes, região rica em petróleo controlada pelos iranianos, área historicamente reivindicada pelo Iraque que ampliaria o seu acesso ao Golfo Pérsico. Num primeiro momento, bem armado e equipado com material bélico soviético, o Iraque, executando um ataque de surpresa em setembro de 1980, com 190 mil homens, 2.200 tanques e 450 aviões, conseguiu penetrar ao longo de toda a fronteira iraniana numa profundidade de 200 quilômetros. Mas não demorou para ser detido por um enorme esforço dos iranianos. Os aiatolás conseguiram mobilizar milhares de combates, formando a Pasdaran (a Guarda Revolucionária) e os Basijs (voluntários mártires do exército popular), jogando-os em ondas humanas contra as posições iraquianas. A guerra que começara móvel, com tanques e aviões, tornou-se então uma dura luta de trincheiras, uma brutal guerra de atrito. Em 1982, o Iraque, vendo frustrada a sua guerra relâmpago, foi obrigado a recuar. O aiatolá Khomeini não aceitou nenhuma solicitação de trégua e a guerra continuou, ainda que tivesse provocado a morte de 120 mil iranianos e 60 mil iraquianos. Só que a partir de 1984, com a Operação Ramadã desencadeada pelo Irã, ela foi travada no território iraquiano, concluindo com o grande cerco de Basra, feito por meio milhão de iranianos, onde se deu uma das maiores batalhas desde a Segunda Guerra Mundial. Somente em 1986 com milhares de perdas, é que o Iraque, reforçando seu equipamento bélico, recorrendo inclusive aos gases venenosos, conseguiu reverter o desastre, fazendo que por fim, em agosto de 1988, o Irã, reduzido à inoperância, aceitasse as determinações da resolução 598 da ONU, pondo fim ao longo e mortífero conflito que no total, causou a perda de quase um milhão de iranianos (300 mil mortos e 500 mil feridos) e de 375 mil iraquianos.
Etapas da primeira guerra do Golfo
1980-82 - Ofensiva do Iraque ao longo da fronteira iraniana.
1982-84 - Contra-ofensiva iraniana, recuo do Iraque para os limites originais.
1984-87 - Guerra de atrito em solo iraquiano. Guerra de trincheiras. Batalha de Basra.
1987-88 - Contra-ofensiva iraquiana obriga o Irã a aceitar a paz, assinada em 22 de agosto de 1988.
A segunda guerra do Golfo Pérsico (1990-91)
Mesmo tendo sido bem sucedido no campo de batalha, Saddam Hussein teve um vitória de Pirro. A não ser reforçar sua autoridade sobre o Iraque, nada usufruiu do resultado final de oito anos de terríveis combates, pois não integrou nenhum dos territórios pretendidos. Endividado em 85 bilhões de dólares com as monarquias vizinhas, numa guerra cujos gastos gerais de reconstrução atingiram 230 bilhões de dólares, e só recebendo 14,2 bilhões da conta das exportações, o ditador começou a pressionar o Emirado do Kuwait. Queria que elevasse os preços do petróleo para o Iraque poder pagar seus compromissos. Exigiu também receber uma vultosa indenização pelas perdas que o Iraque tinha na exploração em conjunto com o Kuwait de certos poços de petróleo em Ramaillah, na embocadura do Golfo Pérsico. Além disso, Saddam Hussein pediu à família Al-Sabat, que domina o Kuwait, que concordasse com uma moratória da dívida iraquiana. Como não foi atendido em nenhum dos dois casos, Saddam Hussein decidiu punir o Kuwait com uma invasão militar, seguida de total ocupação. No dia 2 de agosto de 1990, um exército de cem mil iraquianos adonou-se do Emirado.
|