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EUA: a doutrina Bush
Com o ataque das potências anglo-saxãs ao Iraque, iniciado em 19 de março de 2003, vive-se um momento histórico em que, com a emergência da Doutrina Bush, assiste-se a transformação dos Estados Unidos num Império Universal. Os seus atos políticos e suas guerras doravante somente buscarão legitimidade interna, junto às urnas e as casas legislativas norte-americanas e não mais em instituições internacionais como a ONU, entendida doravante pela atual administração apenas com a função de uma organização assistencialista.
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O presidente George W.Bush
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“Talvez nós lembraremos desse momento histórico como aquele em que o Ocidente decidiu por ele mesmo o século XXI, não em termos de geografia, de raça, de religião, de cultura ou de língua, mas tem termos de valores tais como liberdade e democracia”. Paul Wolfowitz – Council of Foreign Relations, 23.03.2003 Durante mais de meio século as relações dos Estados Unidos com o restante do mundo foram inspiradas e orientadas pela Doutrina Truman. Forjada em 1947, nos maus humores da Guerra Fria em ascensão, ela propunha a Containment Policy, a política da contenção ao comunismo, ideologia oficial da então União Soviética. O seu mentor fora George Kennan, um diplomata de carreira que naquela época servia como embaixador americano em Moscou. Num histórico telegrama-memorando, enviado em 22 de fevereiro de 1946 ao Departamento de Estado em Washington - visto a inalterabilidade da mentalidade soviética que desejava manter-se em atitude belicosa “ contra o capitalismo”, não pretendendo nenhuma conciliação - , ele recomendou confinar os russos numa camisa de força, cerceando qualquer tentativa deles tentarem pular a cerca (aquela que Churchill um pouco antes, no famoso discurso pronunciado em Fulton, no mesmo ano, denominou de “Cortina de Ferro”). Truman então decidiu-se. Qualquer nação amiga ou aliada dos Estados Unidos, explicou na sua doutrina, que fosse ameaçada externa ou internamente pelo comunismo, poderia contar com as forças armadas norte-americanas.
A aplicação da doutrina Truman
Essa foi, digamos, a justificativa que levou os Estados Unidos, autopromovido à polícia global, à Guerra da Coréia (1950-3), a do Vietnã (1965-75) e a uma infinidade de outras intervenções diretas, ou indiretas, menores. Além, é claro de lançar-se numa impressionante corrida armamentista, convencional, nuclear e espacial, cujos gastos chegaram a U$ 9 trilhões de dólares em 40 anos. O resultado final foi auspicioso. A União Soviética desmantelou-se em 1991, e o mundo nunca ficara tão parecido, em gostos, usos e costumes, com os Estados Unidos. Enquanto Francis Fukuyama, o intelectual da Rand Corporation, celebrava a vitória americana num retumbante ensaio sobre “ o fim da história” (The End of History and the Last Man, 1992), um outro burocrata do Departamento de Estado, Paul Wolfowitz, doutor em ciência política (*), tratava de extrair novas conclusões estratégicas do colapso soviético. Circulou naquela ocasião, em 1992, um paper dele no qual, embalado pela espetacular vitória americana da Operação Tempestade do Deserto, encontra-se a essência do que veio a ser a Doutrina Bush dos nossos dias (que só não foi posta em prática naquela ocasião pelo Bush pai, em vista da derrota republicana frente a Bill Clinton).
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