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EUA: a doutrina da ação preventiva

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» EUA: a doutrina Bush
» EUA: a doutrina da ação preventiva
 
Com o fato de ser uma hiperpotência, única e imbatível, os Estados Unidos, por assim dizer, se desobrigavam das regras do mundo. Não há nenhum sentido existirem organizações ou instituições, a maioria delas criadas pelos próprios americanos (como ONU e OTAN ou SALT), que possam a vir criar-lhes embaraços ou a querer opinar sobre as questões de segurança que dizem respeito apenas aos Estados Unidos. Messiânico, Paul Wolfowitz, como os imperialistas ianques do século 19, acredita que a América está vocacionada a levar o seu evangelho democrático para o restante do mundo.

O único empecilho a isso é o “terrorismo”, que assim substitui o “comunismo” como demônio oficial do Estados Universal Americano que ele visualiza concretizar-se para breve. Apesar de direitista - apelidaram-no “o falcão de Bush”- , ele defende um estado palestino para o futuro, ao tempo em que advoga instituir nos países do Islã, estados muçulmanos “mansos” (cujo modelo ideal ele encontrou na Indonésia quando lá foi embaixador). Enquanto isso não suceder, ele propõe a Doutrina da Ação Preventiva, nome burocrático dado à política de Bush que decidiu erradicar do planeta, por meios de guerras preventivas, cirúrgicas, sem precisar consultar ninguém, os “paraísos” de terroristas: o Afeganistão foi o primeiro deles. Com isso, definitivamente, supera-se a posição anterior de superpotência hegemônica, que ainda agia em consonância e a concordância com seus aliados e amigos, e assume-se na integralidade a postura dos Estados Unidos como um império universal.

Saddam é um mau exemplo

Paul Wolfowitz
Wolfowitz acha “O Choque das Civilizações” de Samuel Huntington, que prevê para o futuro guerras entre culturas opostas, uma bobagem. Acredita sim que as pessoas, independente de geografia, raça ou religião, maometanos ou não, querem as mesmas coisas: liberdade e consumo. Valores e bens universais que somente os Estados Unidos podem prover e garantir. Desde tempos ele propôs o fim de Saddam Hussein, não por ele ser uma ameaça real, mas pelo exemplo negativo que fornece aos inimigos da América. Convenceu Bush de que o perigo não estava nas cavernas de Kandahar, mas no bunker de Bagdá. A simples existência dele - o último representante ainda ativo do nacionalismo árabe secularizado - ainda que desdentado, em atitude de permanente desafio é intolerável. É um estímulo a que se formem Al-Qaedas e Bin Ladens infernizando a vida dos americanos. Por tanto, delenda Saddam!

(*) Paul Wolfowitz, filho de um professor judeu-polonês, nascido em Nova Iorque em 1943, é um alto funcionário do Departamento de Estado desde a época da administração Nixon. Depois de ter trabalhado nos acordos SALT com a URSS, sobre armas nucleares, sua atuação mais importante deu-se na Guerra do Golfo quando encarregou-se de arrecadar U$ 50 bilhões entre os aliados dos EUA para cobrir as despesas da guerra contra o Iraque. É tido por Brzezinski, como o mais bem dotado cérebro estratégico do governo Bush. Homem do mesmo nível de Henry Kissinger e McGeorge Bundy..

As doutrinas

Doutrina Truman (1947)
Anunciada pelo Presidente Harry Truman em 1947, visando a politica de contenção ao comunismo. Estratégia inspirada pelo embaixador George Kennan que levou os Estados Unidos a ser a polícia do globo.

Doutrina Bush (2002)
Anunciada pelo presidente George W.Bush em 2002, visando o combate internacional ao terrorismo, sem necessitar de consulta ou aprovação das instituições internacionais. Estratégia inspirada por Paul Wolfowitz, funcionário do Departamento de Estado

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