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Turquia: A revolução Kemalista

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Sacudiu-o do torpor opiático a revolta dos Jovens Turcos em 1908, concluída muito depois pela revolução de Kemal Atatürk, de 1919-23. O general fundador da Turquia moderna, praticamente arrancando-a do medievo para os tempos atuais, fez com que o seu país fosse a primeira república do mundo do Islã. Perdido o império na guerra de 1914-18 - ocasião em que a Grã-Bretanha e a França roubaram-lhe as antigas províncias árabes - , Atatürk, “o libertador dos turcos”, compreendeu que era preciso reformar a antiga sociedade otomana de cima a baixo.

Autoritário e centralizador, entendeu que sem instrução das massas, sem estímulo ao conhecimento, sem a emancipação das mulheres, não haveria a oxigenação necessária capaz de fazer da Turquia uma nação ocidentalizada. Disse ele “..devemos prolongar nossas vitórias no campo da cultura, da escolaridade, da ciência e da economia...os benefícios das vitórias dependem somente da existência do exército da educação.”

O seu nome ficou gravado como um dos modernizadores autoritários do século XX
O Kemalismo, a ideologia da república então recém proclamada, varreu do cenário social os atos de submissão pública, os suplícios físicos abomináveis (a empalação foi proibida), e a idéia de que as leis deviam inspirara-se diretamente no Corão. Decretou a mais profunda reforma socio-política ocorrida até então na Ásia Menor, iniciativa depois imitada por Abdel Gamal Nasser no Egito, em 1952 e por Karim Qassim no Iraque, a partir de 1956, líderes políticos que também trataram de secularizar as sociedades muçulmanas em que viviam.

O bazar turco

M.Kemal Atatürk (1881-1938)
Todavia, como se vê agora, ela, a reforma Kemalista, não conseguiu purgar os seus governantes da velha alma levantina que faz com que os líderes da Turquia atual (especialmente o general Hilmi Özkök e o 1º ministro Abdullah Gul) pareçam querer fazer do torrão natal um traste de bazar , algo a ser vendido ou arrendado pelo preço maior (os americanos ofereceram-lhes U$ 26 bilhões mas eles só aceitam vender-se por 32)

Se bem que o próprio Solimão, o Magnífico, aliou-se a um chefe de piratas (o argelino Khaireddin Barba-Roxa, fazendo dele seu almirante), jamais se soube dele ter permitido alugar uma parte da Turquia para que dali, uma poderosa potência viesse a agredir um vizinho seu. Como será possível, sob o ponto de vista ético, explicar ao mundo a autorização turca para que os Estados Unidos usem as suas bases na Anatólia não para a defesa de um aliado em perigo mas para ir atacar um país ao lado, da mesma fé religiosa, que nada fez à Turquia?

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