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Guerra e juventude: a agressividade
Com base nisso, neste fato histórico pode-se, pois, cogitar uma alternativa a convencional defendida pelos freudianos. Longe de resultarem de um maquiavelismo de homens decadentes - temerosos da virilidade da nova geração -, as guerras seriam uma espécie de instrumento de legítima-defesa da sociedade que as engendram. Usam as guerras, periodicamente, para canalizar a agressividade, de resto natural, dos seus próprios filhos. Ao fazerem assim, ao criarem canais bélicos para que os garotos desafoguem seus instintos, protegem as suas instituições, suas famílias e seus bens. Constrange-se com isso os arrastões e as devastações que os bandos juvenis costumam promover. Neste caso ela teria um claro papel funcionalista. Nas sociedades fascistas dos anos trinta e quarenta do século XX eles eram arregimentados em organizações paramilitares especiais, como os ballila do regime de Mussolini ou a Hitlerjügen dos nazistas, que os preparavam para a guerra futura.
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O garoto-tambor do regimento da rainha
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A paz é assim suportada pela maior parte das sociedades em meio a uma tensão e a um desconforto permanente. Em todas elas, sente-se, há uma agressividade latente sempre pronta para explodir. Sem ter um inimigo externo em quem descarregar os naturais impulsos destrutivos, a violência dos rapazes volta-se contra a sociedade, contra a sua própria gente. É significativo que os índices de crimes e assassinatos, vandalismos e depredações entre as gangues juvenis desçam quase a zero nas épocas em que o país está em guerra, logo ascendendo a números assombrosos em tempos de paz. A mobilização para mais uma guerra, o rufar dos tambores da morte, o clima belicoso que os Estados Unidos mergulharam após o atentado de 11 de setembro de 2001 fez com que os tiroteios e os assassinatos em massa que estavam ocorrendo nas escolas norte-americanas simplesmente desaparecessem. De certo modo, esse seria o sentido em ver-se exposta, mesmo nos países desenvolvidos, tanta brutalidade nas telas, nos video-games e nos quadrinhos. A violência virtual tem, ainda que parcialmente, a função catártica de purgar a fúria predadora dos jovens machos dentro de uma sociedade que se propõe a ser civilizada. Aliás, de quem mesmo Darwin assegurou que descendemos?
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