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EUA, GB e Austrália: intervenções e guerras

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No transcorrer da longa Guerra Fria, a Grã-Bretanha não se opôs em converter-se num enorme porta-aviões dos norte-americanos ancorado à beira da Europa, inclusive sujeitando-se, conformada, a acolher incontáveis artefatos nucleares em seu solo. Endividara-se de tal modo com o seu primo rico desde a Lei dos Empréstimos e Arrendamentos, acertada no início da Segunda Guerra Mundial, que não lhes restara saída senão a de aceitar a liderança dos ianques. Porém, mesmo decadente, nada fez com moderasse a vocação imperial. Brandindo ao seu gosto e interesse o evangelho liberal dos Direitos Humanos (um arguto substituto moderno do catecismo cristão), a Grã-Bretanha instigou, exultante, o seu primo americano a cometer o bárbaro bombardeio da Iugoslávia, entusiasmando-se em dividir com o todo-poderoso parente a ocupação militar de Kosovo. Hoje, no Oriente Médio, os britânicos continuam aparceirados aos aviadores americanos ocupados em lançar rotineiramente projéteis e bombas, sem autorização de quem quer que seja, sobre o Iraque (*).

Na crise do Timor Leste, em virtude do irrestrito apoio que americanos e ingleses deram à ditadura anticomunista dos militares indonésios durante mais de 30 anos, recatos, os primos estimularam a que um outro parente seu, os australianos, ali bem próximo do arquipélago da Indonésia, assumisse a tarefa de uma tropa de ocupação daquela infeliz ilhota. Querem logo tapar o vazio deixado pela retirada dos desastrados comandados do General Wiranto e das suas gangues indonésias. Uniram-se os primos novamente no ataque e na ocupação do Afeganistão, um pais inteiro integrado aos domínios do império anglo-saxão, a pretexto de vingarem a destruição das torres do World Trade Center de Nova Iorque em 11 de setembro de 2001 e suas três mil vítimas, operação executada pelo Al-Qaeda, organização protegida pelos talibãs.

Assim , com a ocupação do Afeganistão e do Timor Leste, a família imperial anglo-saxã engordou mais um pouco. Se o leão inglês e a águia americana são carnívoros de alta estirpe, desprezando aquela ilha de esfomeados, o modesto canguru australiano pareceu satisfazer-se, pelo menos por enquanto, com a magra dieta vegetariana que é aquela pequena parte da Indonésia.

(*)Mesmo recentemente, quando poderia esperar-se um antagonismo ideológico entre o republicano George W.Bush e o trabalhista Tony Blair não foi isso o que se verificou. O primeiro ministro britânico mostrou-se não só o mais fiel aliado da política agressiva dos Estados Unidos quanto ao Afeganistão, como também um devoto da guerra contra o Iraque de Saddam Hussein. .

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