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A China e os nove dragões

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Concomitante à realização do XVI Congresso do Partido Comunista Chinês, ocorrido em novembro de 2002, a República Popular da China escolheu a nova elite dirigente. A maior nação do mundo será governada não só pelo secretário geral do partido comunista, como também por outros oito integrantes do Comitê Central Permanente, formando assim os nove dragões, símbolos chineses do poder e da riqueza, com autoridade quase que total sobre a sociedade mais povoada da Terra.

O mural dos nove dragões

O Dragão-Chefe

"O povo deve ter o suficiente para comer: deve ter um exército suficiente: e o povo deve ter confiança no governante."
Confúcio (551-479 a.C.)

Há no parque Behai, nas proximidades do Palácio Imperial em Pequim, um belíssimo mural de ladrilhos de cerâmica dedicado todo ele aos nove dragões. Construíram-no entre 1756-1773, e, até hoje, sobrevivendo a todas as intempéries que a China passou, ele está como novo: o kowloon , como o chamam, é uma obra-prima. Nele, vê-se bem claramente que um dragão, o maior, colocado no centro, é ladeado por outros quatro de cada lado. Olhando-os, colocados em linha no seu brilho reluzente, nada se encontra melhor para descrever , metaforicamente, o cenário político da China atual. A intenção do XVI Congresso do Partido Comunista, recém findado, nunca foi tão bem explícita na formação do novo governo que tomará posse em março de 2003. Haverá um chefe sim, o presidente Hu Jintao, o grande dragão, mas ele estará sempre acompanhado e policiado pelos outros oito (Wu Banguo, Wen Jinbao, Jia Qinglin, Zeng Qinghong, Huang Ju, Wu Guanzheng, Li Changchun e Luo Guan). É a reprodução viva do mural dos dragões, os nove governantes celestiais do Céu.

Votação seletiva

O mural dos Nove Dragões (construído em 1773)
O processo de escolha dos novos integrantes do Comitê Central Permanente foi uma operação complicada na qual recorreu-se ao voto seletivo, modelo do século 19, participando somente quem era membro do Partido Comunista. Mais de 65 milhões de indivíduos indicaram os 2.114 delegados para representá-los na plenária final em Pequim, afim de referendar os dirigentes. Procedimento este que parece ter sido o máximo de abertura democrática que o regime, até agora, suportou. Pelo menos bem mais visível do que aquelas tensas reuniões secretas dos tempos do Grande Timoneiro, onde azedas ameaças de exoneração, prisão e exílio, eram entremeadas com engatilhar de fuzilamentos dos inconformados. Seja o que for, a assim dita Quarta Geração (sucessora de Mao Tse-Tung, de Deng Xiaoping, e de Jiang Zemin, que agora deixa o poder), está encarregada de levar a diante o programa de Deng Xiaoping das Quatro Modernizações (da agricultura, da industria, das forças armadas e da ciência&tecnologia). Associada esta ao capital internacional.

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