Sharon, o homem-guerra - A política dos assentamentos
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Mapa da Cisjordânia ocupada com os assentamentos de Sharon
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Quando, uns anos depois, ele assumiu o ministério da agricultura do gabinete Begin, ele idealizou, e parcialmente executou, um plano que previa o assentamentos de 300 mil judeus na Cisjordânia ocupada. Os quais, segundo ele, formariam um verdadeiro “ escudo de segurança”. Como ele se expressou, o seu objetivo era colocar um pequeno fortim de colonos judeus no cume de cada colina do banco ocidental do rio Jordão, pois Israel “ precisa controlar cada monte para fragmentar a população palestina”.
Esta revivência do Forte Apache adaptado às circunstâncias da nova colonização da Palestina, teria uma dupla função: vigiar lá do alto o movimento das aldeias muçulmanas da vizinhança e servir como primeira trincheira para dissuadir qualquer ataque árabe que viesse a ocorrer no futuro. Deste modo ele tornou o vale do rio Jordão numa “ nova fronteira de segurança”, fazendo com que os assentamentos exercessem uma presença constrangedora, inviabilizando assim qualquer tentativa de instituir-se ali um possível estado palestino no futuro.
O Ataque ao Líbano
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Bashir Gemayel, líder dos fascistas libaneses
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Desmantelados na Faixa de Gaza e na Jordânia em princípios dos anos de 1970, os resistentes palestinos organizados pela OLP, concentraram o seu esforço na luta antiisraelense a partir da fronteira com o Líbano. Uns 300 ou 400 mil palestinos viviam no pais vizinho a Israel, de onde lançavam sistemáticos ataques às cidadezinhas e aos kibutzes da fronteira. Ariel Sharon, indicado como Ministro da Defesa, convenceu o gabinete Begin e o Knesset ( o parlamento israelense) a fazer uma operação de limpeza naquela área. Recorrendo ao típico vocabulário orwelliano, batizou-a de “ Operação Paz na Galiléia”, fixando o seu começo para o dia 6 de junho de 1982. Segundo as determinações originais previstas, o Exército israelense ( 3 divisões com 80 mil homens), apoiado por raids aéreos, adentraria de surpresa em território libanês apenas uns 20 ou 25 quilômetros de profundidade. Mais ou menos até a Montanhas Shouf e o Castelo Balfour, uma antiga fortaleza dos cruzados. Extensão suficiente, segundo Sharon, para desmontar as bases logísticas da guerrilha fedayeen. Porém , três dias depois de iniciado o ataque, em 9 de junho de 1982, visto a debilidade da resistência, as tropas do general Eytan, levando tudo de roldão, flanqueavam os palestinos no sul de Beirute. Facilitou-lhe sobremodo o trabalho o fato do Líbano estar envolvido, desde 1975, numa sangrenta guerra civil étnica travada entre curdos, cristãos maronitas, e guerrilheiros muçulmanos.
A manobra que visava livrar a Galiléia judaica dos incômodos ataques dos palestinos da OLP, não demorou em degenerar numa guerra aberta contra palestinos, libaneses e sírios estendia pela metade do Líbano, invadindo a própria Beirute. Além de seguidos ataques à posições sírias feitas pelos aviões de Israel, que também implicou num devastador bombardeio sobre a capital libanesa, deu-se ainda uma intervenção militar coordenada pelos americanos em 1982-3. A retirada israelense, por sua vez, foi seguida da ocupação permanente de uma faixa de terra libanesa situada junto a fronteira. Domínio que se estendeu por mais de vinte anos ( a chamada Zona de Segurança). Se Sharon portou-se naquele episódio, como se disse então, como um rinoceronte numa loja de porcelanas, o pior para a imagem do país ainda estava por vir.
Preparando o Massacre
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Parte de Beirute arrasada pelos bombardeios de Sharon, 1982
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Um dos desdobramentos políticos do plano de Sharon, quando a invasão do Líbano foi bem sucedida, era colocar no poder em Beirute alguém da família Gemayel, uma dinastia cristã maronita de inclinação direitista que chefiava a Kataleb, a Falange. Acerto que havia sido combinado antes da invasão. A organização fascista libanesa irmanava-se à direita israelense em seu ódio aos árabes muçulmanos em geral. Desta maneira, somando-se as afinidades ideológicas, atando o destino da Falange ao Likud, o vizinho Líbano se tornaria um estado-cliente, senão estado-vassalo, devendo a sua sobrevivência ao Estado de Israel. Estaria assim Sharon apto a esmagar qualquer tentativa da resistência palestina que partisse das terras libanesas. Num cenário onde a capital do país estava cercada por terra e bombardeada pelo ar pela força aérea e pelo mar pela marinha israelense ( Operação Grande Pinho), que lhe devastou a parte leste, Bashir Gemayel, em 23 de agosto de 1982, fora escolhido como presidente pelo parlamento em Beirute oeste. Porém, tal sonho de Sharon não durou muito. Um violento atentado à bomba pôs fim a vida de Bashir três semanas depois da sua indicação, em 14 de setembro de 1982. Imediatamente as suspeitas recaíram sobre os palestinos. Frustrado, Sharon, aproveitando-se do desejo de vingança dos falangistas, providenciou-lhes a oportunidade para que realizassem um terrível massacre. Disse a eles que “ Eu não quero nenhum só desses terroristas vivos” (H.Sachar, 1996, pag.914). Eles porém não precisaram de nenhum encorajamento.
O pogrom de Sabra e Chatila
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Registro do massacre de Sabra e Chatila (cartaz palestino)
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Na periferia da cidade, sitiados por tropas israelenses, estavam os acampamentos de palestinos de Sabra e Chatila. Os fedayeens, os combatentes da OLP, liderados por Yasser Arafat, já haviam sido obrigados a deixarem o local, embarcados em 21 de agosto de 1982, visto que foram expulsos para a Tunísia e a Síria. Portanto, lá ainda estavam vivendo confinados somente os elementos civis, homens velhos, mulheres e crianças, e que foram as vitimas do horror que aconteceu em seguida ( o representante norte-americano Philip Habib, enviado especial do Presidente Ronald Reagan ao Líbano como mediador, prometera aos chefes palestinos que iam para o exílio na Tunísia e na Síria, que os Estados Unidos se responsabilizariam pela segurança dos familiares deles que foram deixados para trás!).
Em contato com os milicianos da falange, chefiados por Elie Hobeika, Sharon coordenou pessoalmente o assalto aos acampamentos a partir da madrugada de 16 de setembro de 1982. Durante quase três dias, os palestinos padeceram um holocausto nas mãos dos milicianos de Hobeika que procuraram não deixar ninguém vivo. Calculou-se o número dos mortos entre 2.300 a 3.500 pessoas. Numa destas tristes ironias da História, o massacre de Sabra e Chatila foi um pogrom organizado por um governante judeu. O mundo inteiro horrorizou-se com as imagens das pilhas de cadáveres baleados, esfaqueados e degolados, espalhados pelas ruelas ou deixados em poças de sangue na frente dos casebres de Sabra e Chatila. A comoção foi tamanha que, premidas por eminentes personalidades judaicas da Diáspora, as autoridades do próprio governo de Israel tomaram as providência para apurar as responsabilidades.