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Origem lendária da Guerra de Tróia
Tudo teria começado, a guerra que se estendeu por dez anos, na festa de casamento do rei Peleu, um humano, com Tétis, uma das tantas deusas do mar. Tendo o centauro Quirón oferecido o banquete de núpcias, todos os deuses do Olimpo foram convidados. A exceção, aliás, justificada, foi não terem avisado a Eris, a deusa da Discórdia, excluída do rol dos presentes a festa. Em vista disso, para vingar-se, insinuando-se entre os convivas, ela jogou entre eles uma bela maça de ouro. Nela havia uma inscrição: “à mais bela”. De imediato três deusas lá presentes, Hera, Palas Atenas e Afrodite, quiseram ficar para si com o fruto dourado.O todo-poderoso Zeus, não querendo envolver-se na celeuma, recomendou às três concorrentes que fossem até o Monte Ida, nas proximidades de Tróia, e pedissem ao jovem Paris, o pastor local (porém filho do rei Príamo), que servisse como árbitro da contenda. Num repente as três deusas apareceram em frente a ele. Que ele logo se decidisse. Cada uma delas prometeu-lhe algo: Hera acenou-lhe com conquistas militares, Atenas com a sabedoria, enquanto Afrodite, a deusa do Amor, prometeu colocar-lhe nos braços a mulher mais bela do mundo: Helena rainha de Esparta. E foi assim que o destino futuro de Tróia foi traçado, visto que a sentença de Páris foi a favor de Afrodite. Tempos depois, encontrando um pretexto para viajar para Esparta, Paris visitou Helena, e, aproveitando-se da ausência momentânea do marido dela, o rei Menelau, fugiu com ela para Tróia. Para vingar a ofensa que estendeu-se sobre todos os príncipes gregos - comprometidos com um juramento que haviam feito ao rei Tindaro, pai de Helena, na época em que todos eram pretendentes a casarem-se com ela - , eles, estimulados pelas deusas Hera e Palas Atenas, decidiram armar-se e navegar para os lados da grande cidade do litoral do Egeu oriental para resgatarem-na do leito de Pais, o protegido de Afrodite, e repararem a honra ofendida de Menelau.
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Aquiles desentende-se com Agamenon
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Atendendo a convocação de Agamenon Atreu, rei de Micenas e irmão de Menelau, 69 reis e príncipes gregos, com barcos e homens, reuniram-se no porto de Àulis na Beócia. Dali esperavam que Bóreas soprassem os ventos favoráveis que os levassem para a guerra. Os guerreiros vieram de todas as partes da Hélade: Peneleu trouxe os beócios, os fócios eram chefiados por Esquédio e Epistrofo, e os lócrios seguiam o valoroso Ajax Oileu. Os abantes eram conduzidos por Elefenor, e Melesteu liderava os atenieses, enquanto Diomedes, guerreiro indomável, arrastava consigo os de Argos. Os da Lacedemônia, região em situava-se Esparta, eram guiados por Menelau, ao tempo em que Anfimaco e Talpio faziam o mesmo com os epeus. Se Agapeor comandava os arcádios, o astucioso Ulisses, rei de Ítaca, ia à frente dos cefalônicos e Toas na dos etólios. Os das ilhas de Creta e de Rodes obedeciam a Idomeneu e a Tleoponemo, enquanto os mirmidões remavam com Aquiles, o mais bravo dos bravos. Os pardácios navegavam com Protesilau (o primeiro dos gregos a morrer na guerra), e logo em seguida a eles estavam os guerreiros de Ferai e de Metone. Até o infeliz Filoctetes, arqueiro exemplar, que tentava recuperar-se de um ferimento na ilha de Lenos, fora convocado. Os de Trica, de Argissa, Cifo, aumentavam a expedição, até encerrar-se a relação dos chefes e dos povos com Proto, o comandante dos magnetos. No total perfaziam 1.186 embarcações, carregando no seu bojo 50 mil dos mais valentes dos aqueus (como os gregos se chamavam então). Todavia, uma ventania atroz impedia a partida deles. O adivinho Calcas, convocado na ocasião, interpretou aquilo como uma artimanha da deusa Artemisa para prejudicar os gregos. A única solução, para aplacar-lhe, seria a oferta de um sacrifício humano. Agamenon, o chefe supremo, então tomou a terrível decisão de imolar a sua filha Ifigênia para que amainasse a tempestade e a expedição pudesse prosseguir. O que foi feito.
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