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História - Antiga e medieval
ANTIGA E MEDIEVAL

Coriolano e o tribunato da plebe

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Insatisfeita em ser tratada com desprezo, em ser considerada não-cidadã, a plebe de Roma optou por um singular protesto: a greve. Deu-se então, numa data imprecisa do século V a.C., talvez em 494-5 a.C., a primeira paralisação geral de uma sociedade que se conhece - a greve do Mons Sacer (Monte Sagrado). Nada se movia ou se mexia na cidade de Roma e nas suas vizinhanças. O protesto em favor dos direitos econômicos teve efeitos. Os oligarcas tiveram que fazer concessões à plebe, mas isso provocou a reação de Coriolano, o herói reacionário.

O surgimento do tribuno da plebe

Um legionário romano
O melhor e mais duradouro resultado institucional obtido pelos grevistas do Monte Sagrado foi a criação do tribunato da plebe. O Senado acendeu em que, dali em diante, em suas sessões houvesse um trono do povo ocupado por representantes da plebe: o tribuni plebis. Eles, em número de quatro, eram eleitos pela assembléia popular, e tinham a função de se contrapor ao poder dos cônsules. O tribuno gozava de certas prerrogativas, entre elas ser sacrosancti, ser intocável. Protegiam os plebeus, graças ao ius auxilii e o ius intercessionis, nos casos de convocação militar irregular, quando os impostos eram extorsivos, nas ameaças de prisão por dividas e nos castigos físicos que as gentes do povo poderiam vir a sofrer.

Mas o instrumento mais poderoso do tribuno era o seu poder de VETO. A medida ou lei que pudesse parecer-lhes prejudicial aos interesses da plebe, podia ser imediatamente impedida de vir a ser executada pelo simples ato do tribuno erguer-se da cadeira tribunícia e, erguendo a mão, dizer VETO! Como não podia deixar de ser, esta prerrogativa possibilitava paralisar as determinações do governo e suspender as execuções dos juízos, e outros impedimentos mais.

Porém, era o preço que os patrícios e a Oligarquia tinham que pagar para ter uma certa paz social. Afinal, o que cederam, eram mais questões de honra e não tanto de propriedade, mais de orgulho do que de ouro. Com os tumultos e graves crises sociais que continuaram por perdurar ao longo da história republicana (como nos que antecederam a aprovação da Lei das Doze Tábuas, em 450 a.C.), verifica-se que o tribunato da plebe atuou mais como uma espécie de descompressão psicológica junto ao povo do que um efetivo agente da democratização das decisões políticas romanas.

As enormes desigualdades sociais que separavam as classes não foram reduzidas pela adoção do tribunato que, historicamente, revelou-se muito frágil para exercer um verdadeiro equilíbrio de poder entre a nobreza e o povo.

O episódio de Coriolano

Volumnia intercede por Roma junto ao filho Coriolano
Mal se aquietou a plebe, satisfeita com as concessões senatoriais, eis que Roma se verá inquietada pela inconformada reação de um patrício, Caio Márcio, chamado de Coriolano. Herói reacionário, Coriolano, aproveitando-se de uma crise de abastecimento que a cidade sofria, parece que no ano de 493 a.C., deu-se a chantagear o povo. Insistiu junto aos cônsules que se fechassem os armazéns estatais que vendiam grão aos plebeus, exigindo deles que renunciassem as conquistas recém obtidas. Não tardou para que Caio Márcio se tornasse a figura política mais odiada entre o povo romano. A cidade se enervou e os nobres temerosos que o grassar da fome atiçasse ainda mais o rancor entre as classes, não acatou as terríveis sugestões de Coriolano.

Este por sua vez, furioso com que considerou uma vergonhosa capitulação do patriciado frente a plebe, não demorou, banido pelos romanos, em refugiar-se nos acampamentos dos volscos, eternos adversários daquela Roma dos primeiros tempos. Lá, dominado pelo ressentimento e pelo desejo de vingança, entrou em conluio com Aufidius, o rei inimigo, para vir pôr Roma em sítio. A cidade, ainda carregada com os desaforos da estiagem, viu-se ainda cercada pelo caudilho reacionário e por seus inimigos.

Segundo a lenda, foi Volumnia, a mãe de Caio Márcio, e parece que sua mulher Virgínia também, que, visitando-o nas trincheiras, convenceram-no a desistir de submeter a sua cidade natal aquele terrível padecimento. Coriolano, acatando o apelo das duas entregou-se ao destino. Retornou para a cidade dos volscos e lá deixou-se matar pela turba que o acusou de falso e traidor O episódio de Coriolano serviu como tema para um das tantas peças de Shakespeare (Coriolanus, 1607) extraídas da obra de Plutarco (Vidas Paralelas), onde se encontra a história do infeliz herói reacionário.

    
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