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História - Antiga e medieval
ANTIGA E MEDIEVAL

Constantinopla: a queda da maçã de prata

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Constantinopla:
» A queda da maçã de prata
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» Uma luta desparelha
 
A tomada de Constantinopla, capital da Cristandade Oriental, sede do Império Bizantino, ocorrida nos dias 28 e 29 de maio de 1453, por obra do sultão turco-otomano Maomé II, foi um dos acontecimentos mais dramáticos e espetaculares da história moderna. Além de afugentar o cristianismo da Ásia Menor, forçou os navegadores europeus a que buscassem um outro caminho para chegar às Índias, levando-os a enfrentarem o oceano Atlântico. O feito do sultão, que transformou os Turcos Otomanos em potência na Europa, serviu igualmente para separar, em definitivo, a cristandade numa vertente ocidental (católica) e numa oriental (ortodoxa), situação que permanece até os dias de hoje.

Preparando o assalto

Hagia Sofia transformada em mesquita turca

"Então estremeceu o sol, afundando-se na terra: a Cidade por fim caiu. Passou a nossa hora de lutar. Deixem-nos tratar de pensar na nossa própria sobrevivência... Cristo, nosso Senhor, como é inescrutável a tua sabedoria."
Makarios Melissenos (Livro III, 10-12), 1453

Galopando num formidável corcel branco, o sultão Maomé II passou em revista final as suas tropas. Era a manhã de 28 de maio de 1453, e todos os contigentes estavam alinhados bem em frente à Porta de São Romano, uma das seis grandes entradas da cidade de Constantinopla. Em meio a uma onda de bandeiras verdes do Islã, encontravam-se os 12 mil homens dos regimentos janízaros, o terrível braço de ferro do exército turco otomano.

A capital do agonizante Império Bizantino (ou Império Romano do Oriente) estava cercada por terra e por mar desde 12 de abril. Mais adiante, na linha de mais próxima das muralhas, amontoava-se a infantaria ligeira dos bashi-bazouks, uma ralé armada de lança e escudo, composta por 70 mil homens que sonhavam com a rapina e o saque da rica cidade. Atrás deles, achavam-se uns 50 mil soldados da reserva do sultão, os cavaleiros da casta dos sipahis e os infantes azapis. E lá do Alto, acreditavam, Alá orava por todos eles.

Enquanto as fanfarras turcas, as trombetas e tambores marciais ressoavam do lado de fora da cidade, lá dentro, atrás das muralhas, a população temia pelo pior. Reunidos na catedral de Santa Sofia, o maravilhoso templo de Hagia Sofia, a Santa Sabedoria, erguido por Justiniano em 535-7, os crentes entoavam o Kyrie Eleison, “Senhor, apiedei-se de nós!” Enquanto que por toda a parte acendiam-se velas, rezas e ladainhas subiam aos céus suplicando clemência. Mas Deus mostrou-se surdo para os cristãos.

O pavor dos cristãos

O pavor agia como uma epidemia, corroendo os nervos dos patrícios, dos nobres, da corte e do povo em geral. Situação que piorou ainda mais quando o sultão mandara expor 76 soldados cristãos empalados por seus carrascos na frente das muralhas para que os habitantes de Constantinopla soubessem o destino que os aguardava.

Dias mais depressivos eles tiveram antes, no momento em que o grande canhão turco, um monstro de bronze e de oito metros de cumprimento, que os sitiantes trouxeram de longe, arrastado por 60 bois, começara a despejar balas de 550 quilos contra as portas e as muralhas da cidade. Parecia um raio atirado dos céus pelo próprio Alá para vir arrasar com as expectativas de salvação dos cristãos. Pela frente os turcos invasores tinham uma linha de 22 quilômetros de muralhas e 96 torres bem fortificadas ainda por vencer, mas para os cristãos era pior, pois somente viam a sombra da foice da morte.

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