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História - Antiga e medieval
ANTIGA E MEDIEVAL

O saque de Bagdá

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» Bagdá: a destruição
 
Até o século XIII, Bagdá, situada na margem do Rio Tigre, foi uma das cidades mais importantes do mundo islâmico. Provavelmente, foi a primeira cidade planejada construída na Mesopotâmia, berço das civilizações caldéia, assíria e babilônica, entre as mais antigas do mundo. Mesmo sendo habitada por quase 2 milhões de habitantes, o seu califa não conseguiu protegê-la da invasão mongol vinda da Ásia Central, ocorrida em 1258. A destruição que ela sofreu, como que se fora devastada por uma tempestade de areia, ocultou a sua grandeza pelos séculos seguintes.

A nuvem de locustos

Ancoradouro de Bagdá nas vésperas do desastre

"Começou então o saque de Bagdá/ Magnificas mesquitas/ Imensas bibliotecas da literatura persa e árabe/ A maior universidade do mundo/ Palácios, palácios, palácios/ Queimados e os homens assassinados/ Mulheres e crianças levadas para Caracorum como escravas."
Douglas Clark – Hulagu´s Ride

Que o califa Al-Mustazim se despreocupasse. Deixasse de andar com aquele ar preocupado e o cenho franzido. O ministro Ibn-al-Alkami assegurou-lhe que o perigo não era tão ameaçador assim. A notícia de que a grande horda mongol, conduzida por Hulagu Cã, um dos netos de Gengis Cã, “ O Senhor do Mundo”, se aproximava da Mesopotâmia, não deveria inquietar ninguém. Além disso, lembrou-lhe o cortesão, o Mundo Sunita, um colosso de fé e geografia que se estendia do Paquistão até o reino do Marrocos, nas margens do Atlântico, não iria permitir que Bagdá sucumbisse assim no mais. Ponderou ele que a soberba cidade era a jóia do Islã e, seguramente, uma muralha de irmãos muçulmanos, com escudos e afiadas cimitarras, deteria aquele bárbaro pagão mantendo-o bem longe do rio Tigre.

Entrementes , como se fora uma nuvem de locustos, a massa de cavaleiros mongóis, em seus ágeis pôneis pretos, deslocando-se desde Samarcã como o vento, saltando do planalto Iraniano, esparramou-se sobre as terras da antiga Babilônia, de Ur e Assur, levando tudo de roldão. A primeira façanha do comandante Ked-Buqa, líder da vanguarda de Hulagu, cometida ainda nas terras do Irã, foi tomar de assalto, em 1255, o que parecia impossível. Tomou e destruiu o quartel-general da Ordem dos Assassinos encravado nos altos dos Montes Elbuz - o Ninho da Águia dos seguidores do Velho da Montanha -, os nizans, que viviam na fortaleza de Alamut, de onde saíam, encapuçados e armados de punhais, para aterrorizar meio mundo embalados por doses de haxixe. Feito dos mongóis que o historiador Edward Gibbon certa vez considerou como “um serviço prestado à humanidade”.

A plataforma do Islã

Bagdá, urbe moderna, construída. em 764, por ordem do califa Al-Mansur, era outra coisa. Não fora erigida para as Trevas mais sim para a Fé. Orientada por astrólogos como cidade modelo, capital do Califado Abássida, ficou no desamparo frente ao mongol. Erguida nas duas margens do rio Tigre como a grande plataforma do Islã, missionaram-na para difundir a palavra do Profeta para bem longe, para as terras da Índia e de Java, e para onde mais desse ao Oriente. Descendo no sentido de Basra, ao Sul, chegava-se as águas do Golfo Pérsico e dali abria-se para a imensidão do oceano em cujas margens as multidões de pagãos, pensavam os imãs, estavam a espera das lições do Corão. Por isso haviam construído tantas madraças, as escolas de leitura sagrada, para que elas formassem centenas, milhares de jovens seguidores da Verdadeira Fé. Em toda vastidão do Império de Maomé, Bagdá, com seus 2 milhões de habitantes e seus belos palácios , era o orgulho do Crescente.

O califa, o Comandante dos Crentes, um débil, rogou por um trégua com invasor. Que Hulagu negociasse com ele pelo menos algum tratado de paz que salvasse Bagdá. Tudo inútil. Em fevereiro de 1258, o príncipe mongol, quase sem ninguém que o detivesse, entrou triunfante pelos portões da cidade. Como desejava seguir em frente depois de submeter Bagdá, subir em direção à Síria e à Palestina, “para alcançar as fronteiras do Egito”, como o Grande Cã de Pequim ordenara, não desejava deixar na retaguarda aquela enorme concentração de gente. Quando vissem o exército de Hulagu pelas costas, rumando para a estrada para Damasco, era certo, calculou ele, que se rebelariam.

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