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Bagdá: a destruição
Ardiloso, agiu então com a astúcia de um caçador das estepes. Para não despertar suspeitas das suas intenções, convidou a família do califa, inclusive suas concubinas, para uma grande recepção. Feitos os brindes e terminada a ceia, a um sinal dado, a guarda pessoal do conquistador entrou em cena. Amarrados e costurados um por um em belos tapetes persas, os convivas foram carregados até o chão do pátio onde um destacamento de cavaleiros os aguardava. O hospedeiro, num repente, tornara-se um carcereiro e um carrasco. E deste modo traiçoeiro, infame e cruel, esmagada pelos cascos dos potros mongóis, depois de reinar por cinco séculos em Bagdá, chegou ao fim a Casa de Abbas. O ministro al-Alkami, alma de colaboracionista, por ter facilitado a ocupação, foi mantido no posto. Enquanto isso, pelotões incendiários percorriam as ruas de Bagdá saqueando e pondo fogo em tudo. Nada, nem as estupendas mesquitas, nem escolas, nem casas da sabedoria, nem hospitais ou palácios foi poupado ou deixado para trás. Os civis, arrebanhados como gado, uns cem mil deles, foram empurrados para a beira do rio e durante dias e dias os mongóis os fizeram sangrar até a morte. As mulheres e os filhos da vítimas tornadas escravas, agrilhoadas, padeceram numa jornada infernal até os fundões da Mongólia, para Caracorum, a capital de Gengis Cã, para que Hulagu as exibisse aos parentes, ao seu irmão Mongke Cã.
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Tempestade sobre Bagdá (foto micrográfica da nave Apolo)
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Nos anos seguintes, aberto o caminho pelo mongol, levas de tribos vindas da Turcomênia, gente nômade, sem dominar ou conhecer a lavoura, por ignorância ou desleixo, destruiu todo o sistema de irrigação que a Mesopotâmia tinha desde idades imemoriais. Com Bagdá em ruínas, transformada em miserável relíquia do antigo esplendor árabe, restou habitada por bem poucos sobreviventes, espectros das vitimas de Hulagu l. Aproveitando-se, turbas de beduínos do deserto começaram a assediá-la para rapinar o que sobrara. Nos séculos seguintes, tornada província do Incã da Pérsia (1260-1340), de onde a dinastia mongol reinava, o Iraque e sua metrópole mergulhou nas sombras do esquecimento. Centro do fluxo comercial entre o Oriente-Ocidente, ela feneceu. Dali em diante novas rotas foram abertas pelos mercadores: ao Norte pela Turquia e ao Leste pelo Mar Vermelho e Alexandria. Voltou à vida recentemente, sete séculos depois, com os ganhos do petróleo, apenas para se tornar novamente vítima: da tirania de Saddam Hussein e da cobiça dos petroleiros americanos.
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