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Cerveja pode surpreender paladar brasileiro
Entre os mais de 400 tipos de cerveja produzidos na Bélgica, é possível experimentar alguns que ainda são fabricados segundo os mesmos processos utilizados na antiga Mesopotâmia, tal como a fermentação natural. É o caso das cervejas Cantillon, Hanssens, Drie Fontein e Oud Beersel. Com produção anual estimada em mil litros, a Cantillon tem sua distribuição restrita à região de Bruxelas, onde fica sua fábrica. É um respeito à tradição das chamadas cervejas locais, que só podem ser consumidas na região onde são produzidas. No caso da Cantillon, ela só pode ser saboreada em dez cafés de Bruxelas, de propriedade de sua fábrica. O caráter local e único também é assegurado pelos ingredientes: a fórmula inclui trigo, cereal acrescentado a ela por ser produzido na região. O processo de fabricação de uma cerveja por fermentação natural exclui a pasteurização. Sua fermentação só é possível graças à interação do líquido com os microorganismos existentes na sala onde ela é armazenada - respeitando, naturalmente, certas condições climáticas típicas da região durante o inverno. Na fase seguinte, a exemplo dos vinhos, a cerveja é envelhecida em barris de carvalho de segunda-mão, previamente utilizados para armazenar porto ou bordeaux, durante um período de até três anos. Variedades - A partir do produto-base, um tipo de cerveja chamado de lambic, obtém-se algumas variedades. A gueuze é uma mistura de lambics envelhecidas por um período de um a três anos, o que garante uma segunda fermentação depois da cerveja ser engarrafada. A kriek e a rose de gambrinus são uma mistura da lambic com frutas. A fermentação natural garante um sabor forte, marcado pela acidez. A fruta aproxima seu gosto ao de um licor. É preciso atentar para um fato importante. Uma cerveja produzida para consumo regional não é sinônimo de artesanal. Nem os processos industriais tornam outras menos saborosas. A Bierkaai, originária de Bruges, só pode ser consumida em dois cafés da cidade, ambos mantidos pelo dono da cervejaria. A produção gira em torno de 2 mil litros ao mês, dividida em três variedades, a blondie, a double e a triple. A classificação varia conforme o teor alcoólico, que fica entre 5 e 8,5 graus. Mas, independentemente de a produção ser ou não local, experimentar as cervejas belgas é uma experiência de sabores e aromas, muitos inusitados e desconhecidos para o paladar brasileiro. Um exemplo são as cervejas trapistas - batizadas assim em homenagem à ordem dos monges que a produzem em cinco mosteiros. A blanche, cerveja de trigo, é leve e turva; a substanciosa e de sabor marcante, maron, é típica da região de Flandres. Diante de uma variedade tão grande, o turista não deve ficar surpreso se, ao entrar em um café e pedir uma cerveja, o garçom o olhar com uma cara de interrogação. Pedir simplesmente uma cerveja é quase uma ofensa. Assim, quem quiser se aventurar pelo mundo de sabores das "loiras" belgas deve solicitar um tipo ou uma marca específica. Caso não conheça nenhum, nem hesite. Peça a carta como se fosse escolher um vinho. A maioria dos cafés e restaurantes possui uma, para dar uma mãozinha aos forasteiros. VEJA TAMBÉM: » Bruxelas resume vários mundos » Art noveau e estátua são atrações na cidade » Uma cidade que sabe ir à mesa » Bruges é decadente e charmosa » Igrejas são desculpa para uma ótima caminhada » Pedaladas animadoras » Antuérpia reúne boas grifes há séculos » Atomium é um dos mais curiosos monumentos » Saiba como ir para a Bélgica
O Estado de S. Paulo
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