Quase metade dos pacientes com doenças de Parkinson que provaram maconha disse que a droga ajudou a aliviar os sintomas do distúrbio, de acordo com uma pesquisa. As descobertas de Evzin Ruzicka, neurologista da Universidade Charles, em Praga, República Tcheca, foram apresentadas durante o 7o. Congresso Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbios de Movimento, da Sociedade de Distúrbios de Movimento, em Miami."É difícil estudar diretamente os efeitos médicos da maconha na República Tcheca, onde conduzimos a pesquisa, devido a seu caráter ilegal", disse Ruzicka à Reuters Health. "Portanto, tivemos de realizar pesquisas anônimas. Esse é o primeiro estudo a avaliar o efeito da maconha na doença de Parkinson, e nossos resultados indicam que ela pode aliviar alguns sintomas."
A equipe decidiu analisar os efeitos da maconha na doença de Parkinson após saber que diversos pacientes obtiveram benefícios com a droga. Os pesquisadores pediram que todos os pacientes tratados para Parkinson em seu centro preenchessem um questionário. As perguntas tratavam do uso de maconha e de diversos sintomas do distúrbio, incluindo sintomas gerais, tremores em repouso, hipocinesia ou movimento lento, rigidez muscular, e discinesias, ou movimentos involuntários. As discinesias são causadas pela levodopa, o remédio mais usado no tratamento do distúrbio.
Entre 630 pacientes que receberam o questionário, 339 (54 por cento) o devolveram. A idade média dos entrevistados era 66 anos, e eles sofriam com a doença há cerca de nove anos. Cerca de 25 por cento dos entrevistados disseram que usavam maconha. A maioria fazia uso oral da droga, com folhas frescas ou desidratadas.
Entre esse grupo, 39 pacientes (46 por cento) disseram que, no geral, os sintomas do distúrbio foram aliviados após o início do uso da maconha. Em relação a sintomas específicos, 26 (31 por cento) relataram uma melhora nos tremores em repouso e 38 (45 por cento) tiveram um alívio na hipocinesia. Uma melhora na rigidez muscular foi relatada por 32 (38 por cento), e 12 (14 por cento) afirmaram que tiveram alívio das discinesias induzidas pela levodopa.
De acordo com os entrevistados, a melhora nos sintomas ocorreu, em média, 1,7 mês após o início do uso da droga. Os pacientes que a usaram por pelo menos três meses estavam mais propensos a apresentar alívio de sintomas do que os que tiveram experiência mais curta, segundo os pesquisadores.
Esse intervalo entre o início do uso da maconha e o alívio dos sintomas mostra que é improvável que os entrevistados estivessem experimentando um efeito placebo, afirmou Ruzicka. Um efeito placebo pode ocorrer quando a pessoa sob tratamento apresenta um benefício mesmo se o "tratamento", como uma pílula inativa, não contém ingredientes ativos.
A equipe acredita que o efeito da maconha sobre os sintomas da doença de Parkinson pode ocorrer devido à interação entre a droga, certos receptores cerebrais que respondem à maconha e canabinóides endógenos ou substâncias semelhantes à maconha no corpo.