Feminismo árabe Os protestos no mundo árabe não derrubam só ditaduras. Também desafiam as visões estereotipadas e provam que não há libertação sem o apoio das mulheres. Termômetro da febre democrática, a emergência dos direitos de gênero no Islã abala as certezas do feminismo universalista e convida o Ocidente a despir seus véus.
Por Laura Daudén

Protesto em Durban: diante das mudanças do clima, países ricos enterram a cabeça na areia.
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Com uma vasta experiência de 40 anos de militância ecológica e três mandatos de deputado federal – o primeiro parlamentar brasileiro a ser eleito para defender o ambiente –, o paulistano Fabio Feldmann vê paradoxos na política brasileira de mudanças climáticas. Para o novo coordenador do Conselho Temático de Meio Ambiente do Espaço Democrático (a fundação do Partido Social Democrático do prefeito Gilberto Kassab), a diplomacia brasileira marcou um gol ao criar uma ponte entre os países ricos e os emergentes na Conferência das Partes do Clima, a COP-17, em Durban, na África do Sul. Apesar do pessimismo que rondava as negociações desde a conferência de Copenhague em 2009, Durban terminou com a extensão do Protocolo de Kyoto por cinco anos (até 2017) e com um acordo global para se criar um novo tratado de redução das emissões de carbono a partir de 2020 – com a participação dos Estados Unidos e da China, até ontem recalcitrantes. Mas o mesmo governo que brilha na arena internacional, e que pretende atrair 120 chefes de Estado para a Rio+20 em junho, trata marginalmente a questão climática na agenda de desenvolvimento. Uma evidência, nota Feldmann, é o fato de a presidenta Dilma Rousseff não ter se encontrado uma única vez, em 2011, com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
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Fabio Feldmann é advogado, consultor, ambientalista, exdeputado federal e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1995-1998). Sustentabilidade planetária, onde eu entro nisso?, seu mais recente livro, foi lançado em dezembro pela editora Terra Virgem. |
O resultado positivo da conferência do clima de Durban pode alimentar um otimismo moderado sobre o futuro das negociações climáticas?
Durban surpreendeu. Do ponto de vista político, conseguiu a continuidade do Protocolo de Kyoto e obteve um compromisso de todos os países em reduzir suas emissões. Lembre-se que durante a COP-16, em Cancun (México), no final de 2010, temia-se que as negociações fossem interrompidas definitivamente e perdêssemos todos esses anos de negociação. Mas certamente continua a haver um divórcio entre a ciência e as decisões políticas, uma vez que a primeira aponta um senso de urgência que não se reflete nas negociações.
As expectativas para Durban eram baixas e Kyoto estava à beira do colapso. O que explica essa reversão de tendência?
A vantagem de Durban é que a reunião se iniciou com baixa expectativa, o que de certo modo permitiu o avanço. Além de que é mais fácil, do ponto de vista político, se chegar a um acordo quando a implementação prevê prazos longos. A política é que nem o clima, ou seja, não tem linearidade, de modo que existem mudanças inesperadas que alteram a trajetória. Mas há que se considerar que existe um longo caminho de detalhamento do compromisso político, que vai exigir da sociedade civil e da mídia uma continuidade em termos de pressão sobre os governos. Talvez o que mais me surpreendeu, e isso gerou resultado positivo na reunião, foi a disposição da China em reduzir suas emissões. Muitos atribuem essa atitude ao fato de que as emissões chinesas poderão superar, em médio prazo, a soma das emissões europeias e norte-americanas.
Apesar de Durban, o mercado de carbono voltou a cair ladeira abaixo. A crise econômica europeia pesa mais do que a diplomacia no mercado de carbono?
Com as decisões de Durban, o mercado de carbono, segundo as regras de Kyoto, sobreviveu. Infelizmente, não se conseguiu criar uma estratégia que permitisse o enfrentamento da crise econômica mundial com investimentos em uma economia verde ou sustentável. Em outras palavras, a crise do clima e a crise econômica estão sendo tratadas de maneira independente. Continua a se estimular o consumo nos moldes tradicionais, o que certamente significará maior impacto sobre os ecossistemas e o planeta.
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