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REVISTA PLANETA
EDIÇÃO 471

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HOME: REVISTA: Espiritualidade Dezembro/2011

Sem fé nem Deus
O grupo dos que creem que Deus não existe cresce continuamente. Ainda assim, pesquisas mostram que os ateus são vistos com antipatia no Brasil. Quem são e o que pensam os descrentes? E por que, em um país conhecido por sua tolerância religiosa, os níveis de rejeição aos ateus são tão altos?


Por Mariana Tavares


Richard Dawkins: ateísmo científico.

Cândido Portinari, Graciliano Ramos, Jean-Paul Sartre, José Saramago e John Lennon. Cada um à sua maneira, todos deram contribuições definitivas para suas áreas de conhecimento. Há, porém, outro fator comum: todos são (ou eram) ateus. Mas o que significa, afinal, ser ateu? Ao contrário do que pensa a maioria, dizer que o ateu é "aquele que não crê em Deus" não basta. Ateu é "aquele que crê que Deus não existe". Ainda que sutil, a diferença é importante para esclarecer o que distingue ateísmo e agnosticismo: enquanto o agnóstico não acredita em nada - nem que Deus existe nem que não existe, deixando a questão em suspenso -, o ateu acredita na inexistência divina.

Como explica à PLANETA o filósofo francês André Comte-Sponville, autor do livro O Espírito do Ateísmo, não se pode falar dos ateus como um grupo homogêneo: "O ateísmo não é uma doutrina nem uma escola de pensamento. É uma crença. Não há nada que una os ateus, se não exatamente aquilo que os define: a crença de que Deus não existe." Prova da diversidade de ideias é a patente falta de consenso entre os autores ateus em torno da questão mais elementar: o próprio termo "ateu". O biólogo britânico Richard Dawkins, por exemplo, defende o uso do termo "iluminado" (bright, em inglês) em vez de ateu. Já o neurologista norte-americano Sam Harris entende que "ateu" é uma palavra carregada de valores pejorativos e, por isso, deve ser deixada de lado.

Junto com o escritor britânico Christopher Hitchens e o filósofo norte-americano Daniel Dennett, Dawkins e Harris formam "os quatro cavaleiros do ateísmo", os expoentes de uma visão ácida sobre o papel da religião no mundo contemporâneo. Para o grupo, não basta entender o homem como protagonista de sua própria história e dar a Deus o status de criação humana. Trata-se de criticar e combater as religiões sob a perspectiva da ciência e da razão lógica, em uma posição que ficou conhecida como "novo ateísmo". No espectro oposto, o francês Comte-Sponville defende um "ateísmo místico", baseado na noção de que religião e espiritualidade são coisas diferentes e, portanto, é possível ser ateu e cultivar uma espiritualidade. Se tamanha diversidade de opiniões pode soar confusa, saiba que ela é apenas um reflexo da complexidade do tema em aberto há pelo menos três milênios.

Religião e prosperidade
Veja como a pergunta "A religião é parte importante do seu cotidiano?" é respondida em países pobres e ricos. Em Bangladesh, 99% dizem sim. Os países menos religiosos são Estônia, Suécia e Dinamarca. No Brasil, 87% são afirmativos.

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