Procuram-se mulheres Num mundo com 7 bilhões de habitantes faltam mulheres em alguns países. Na Ásia, a maternidade já é problema. Em 2025, faltarão esposas na China. Talvez os chineses venham procurá-las no Brasil.
Por Maíra Lie Chao
Atualmente, 1.370.536.875 pessoas vivem na China, incluindo Hong Kong, Macau e Taiwan. Embora 1 bilhão pareça um número gigantesco, o país começa a se preocupar. Na última década, a população cresceu 5,8%, índice baixo comparado aos outros anos. De acordo com o Bureau Nacional de Estatística da República da China, a população também envelheceu, pois a proporção de jovens abaixo dos 14 anos caiu para 16% em relação ao total de pessoas, ao passo que a proporção de idosos de mais de 60 anos aumentou 3%. A taxa de fecundidade está entre 1,7 e 1,8 filho por mulher - quando 2,1 é o mínimo para recompor a população.
Já em 2025, o crescimento populacional chinês começará a ser negativo, segundo as Nações Unidas. "A China é muito grande e há muitos anos vem mantendo a política do filho único, uma legislação que obriga os casais a ter apenas um filho. Além disso, por razões culturais, os filhos homens são preferidos. Resultado: o país será prejudicado em termos de reprodução da população devido à falta de meninas", afirma Margareth Arilha, pesquisadora de saúde reprodutiva do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em boa parte da Ásia, as meninas são vistas como membros que não trazem benefícios à família, do ponto de vista econômico, social e cultural. É o homem que dá procedência à linhagem do nome, assume a chefia da casa e é responsável pelos mais velhos. Embora a desproporção entre nascimentos de homens e mulheres chineses tenha diminuído, ela continua alta: para cada grupo de 100 mulheres, há 105,2 homens. Tanto na China quanto em outros países asiáticos, como a Índia, há muitos casos de aborto e de assassinato de bebês do sexo feminino.
"Os abortos seletivos foram adotados por 'grupos pioneiros', mais ricos, que tinham acesso a tecnologias como ultrassonografia, como solução para reduzir o número de crianças e maximizar a probabilidade de ter pelo menos um filho homem", explica Christophe Z. Guilmoto, no artigo "The Sex Transition in Asia", publicado pelo Centre Population et Développement da Université Paris Descartes, na França.
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