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EDIÇÃO 466

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HOME: REVISTA: Comportamento Julho/2011

Tudo de uma vez
Pesquisadores das universidades de Utah e Stanford, nos Estados Unidos, alertam: ser uma pessoa multitarefeira pode parecer a melhor coisa do mundo, mas não é. Os computadores têm essa característica; nosso cérebro, não. Quem quer fazer tudo ao mesmo tempo acaba não fazendo nada direito. As empresas já estão descobrindo isso na prática


Por Maíra Lie Chao

Teste em Stanford

Uma tarefa interessante foi apresentada a jovens da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Os estudantes deveriam notar se um dos retângulos vermelhos de uma amostra com vermelhos e azuis mudava de ângulo de uma imagem a outra. Os multitarefeiros pesados não conseguiram detectar a pequena mudança no tempo permitido. Enquanto os multitarefeiros leves foram melhor sucedidos.

Quantas janelas você abre no computador enquanto checa seus e-mails e atualizações de amigos em redes sociais pelo celular? Você consegue cozinhar, conversar ao telefone e pôr o bebê para dormir com igual competência? Cuidado. O bombardeio de informações e a quantidade de tarefas a serem executadas ao mesmo tempo podem comprometer sua capacidade de concentração e, no final das contas, você acabará não fazendo nada direito. Ter um perfil multitarefeiro, muito associado à “geração Y” – jovens nascidos nos anos 80 –, pode também ser sinônimo de falta de atenção e de trabalho mal feito – o que afeta a empregabilidade.

Quando as novas gerações começaram a demonstrar facilidade em lidar com novas tecnologias e se adaptar ao bombardeio de informações dos meios de comunicação, educadores e empregadores arregalaram os olhos e apostaram nesse novo perfil de trabalhador do futuro. “A geração Y não tem aquele padrão de pensamento linear.

A Geração Y no mercado

“As empresas ainda têm receios sobre a falta de comprometimento da Geração Y no trabalho”, declara Eline Kullock, presidente do Grupo Foco RH: “Pois eu digo eles vestem, sim, a camisa da empresa. Só que não tiram sua própria camisa antes”, analisa. Isso quer dizer que quem nasceu depois dos anos 80 não é um irresponsável, mas alguém que visa também a sua própria evolução.

A facilidade em lidar com os diversos tipos de tecnologia e a adaptação ao bombardeio de informação traz um problema: a falta de concentração. Então, é provável que chefes da geração anterior notem que, depois de uma longa reunião, seu funcionário Y demonstrará cansaço. Além disso, outra diferença notável é que a geração Y questiona (bem) mais. “Eles questionam mais e, portanto, nos fazem refletir mais. Com eles, trabalhamos menos automaticamente.

As gerações anteriores não questionavam tanto, aceitavam orientações, procedimentos e normas. E quando você tem uma geração que questiona mais, é obrigado a repensar sobre o que está fazendo e por que está fazendo”, reflete Eline. Toda geração tem sua história, seus pontos positivos e negativos. No entanto, elas se complementam e a química pode induzir a bons trabalhos. “Não é porque é diferente que é ruim; diversidade significa complemento”, finaliza.



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