Homem o exterminador do presente A presença do homem tem considerável impacto ambiental no ecossistema onde ele se instala. Essa ação, repetida e ampliada em dezenas de milhares de anos, está associada ao extermínio de diversos animais e vegetais e pode tornar nossa espécie a primeira a promover uma extinção em massa na história da Terra
Por Eduardo Araia

Gorila
(Gorilla gorilla) Primata endêmico das florestas tropicais e subtropicais da África, o gorila compartilha cerca de 99% do seu DNA com os humanos. Isso faz dele o nosso parente vivo mais próximo. Apesar disso, os gorilas continuam a ser caçados e comidos. seu número hoje se reduz a poucas dezenas de milhares, em risco de extinção.
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Há cerca de 12 mil anos, quando se instalou na região do Novo México pela qual se tornou conhecido, o povo de Clovis não demorou a dar mostras de sua capacidade empreendedora. Munidos de lanças com ponta de pedra - e com um empurrão dado por mudanças climáticas -, esses caçadores liquidaram 75 espécies animais da região, incluindo mamutes, mastodontes, antílopes de quatro chifres e megatérios (grandes antepassados das preguiças de hoje). Mil anos depois, seus parentes que avançaram para a América do Sul continuaram o serviço, exterminando gliptodontes (enormes parentes pré-históricos dos tatus), diversas espécies de roedores e animais da família das lhamas.
Casos como esses mostram que a chegada do homem a qualquer lugar representa um enorme perigo ambiental. Desde que nossa raça incluiu a caça e a agricultura entre seus meios de sustento, raros ecossistemas podem se considerar imunes às investidas do Homo sapiens. O domínio humano sobre o planeta e suas consequências - incluindo aí nossa responsabilidade sobre o aquecimento global - tornam o homem um elemento raro no planeta: ele deverá ser o primeiro ser vivo, em toda a história terrestre, a ser capaz de provocar um extermínio em massa de outras espécies (e talvez até dele mesmo).
AS CINCO GRANDES EXTINÇÕES DO PASSADO |
PERÍODO |
CAUSA PROVÁVEL |
PERDAS |
Ordoviciano-Siluriano (439 milhões de anos atrás) |
Formação das calotas polares e queda dos níveis dos mares; derretimento das geleiras e aumento dos níveis dos mares |
60% de todos os gêneros e 25% dos invertebrados marinhos de todas as famílias |
Devoniano Tardio (364 milhões de anos atrás) |
Desconhecida |
22% das famílias marinhas |
Permiano-Triássico (251 milhões de anos atrás) |
Impacto de um meteoro |
95% de todas as espécies de seres vivos (incluindo 70% das espécies terrestres) |
Triássico (214 milhões de anos atrás) |
Inundações de lava vulcânica oriundas do Atlântico |
22% das famílias marinhas e 52% dos gêneros marinhos (não há estimativas sobre as mortes entre os vertebrados) |
Cretáceo-Terciário (65 milhões de anos atrás) |
Impacto de um meteoro na região da Península de Yucatán |
16% das famílias de espécies marinhas, 47% dos gêneros marinhos e 18% das famílias de vertebrados terrestres (incluindo os dinossauros) |
Seria um feito e tanto, já que, nas cerca de 20 vezes em que isso aconteceu - cinco das quais tiveram proporções especialmente grandes -, os agentes causadores sempre foram forças incontroláveis da natureza ou do espaço. Na mais recente delas, por exemplo, ocorrida há 65 milhões de anos, o choque de um meteoro contra a região da Península de Yucatán, no México, levantou uma nuvem de poeira que toldou os céus, resfriou o clima e eliminou, por tabela, todos os dinossauros da superfície da Terra. Mais de 135 milhões de anos antes, outro meteoro havia causado uma catástrofe ainda maior: levou à extinção 95% de todos os seres vivos.
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Gibão-preto
(Hylobates concolor) Espécie frugívora, ele passa toda a sua vida no alto das árvores das florestas tropicais úmidas de camboja, Laos, china, tailândia e Vietnã. como a maioria dos gibões, a espécie está seriamente ameaçadas pela caça predatória - o gibãopreto é famoso pelas vocalizações que consegue emitir.
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