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EDIÇÃO 448

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HOME: REVISTA: Meio Ambiente Janeiro/2010

Homem o exterminador do presente
A presença do homem tem considerável impacto ambiental no ecossistema onde ele se instala. Essa ação, repetida e ampliada em dezenas de milhares de anos, está associada ao extermínio de diversos animais e vegetais e pode tornar nossa espécie a primeira a promover uma extinção em massa na história da Terra


Por Eduardo Araia

Bichopreguiça (Bradypus variegatus) Animal inofensivo, que vive no alto das árvores e se alimenta de folhas, a preguiça de três dedos é endêmica da Mata Atlântica, do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia. Apesar da amplitude do seu hábitat, e como todas as demais preguiças, a espécie é altamente ameaçada, sobretudo pelo seu principal predador, o homem.

Ainda é possível reverter esse quadro geral? A resposta fica no âmbito da profecia, dada a dificuldade de fazer a crescente consciência ambiental da sociedade se transformar em ações internacionais amplas. A maioria dos especialistas antevê tempos sombrios, nos quais o homem descobrirá por si mesmo as consequências de viver em meio a uma biodiversidade muito mais pobre.

Presas fáceis

Duas aves ausentes há séculos do planeta devem seu desaparecimento diretamente ao homem. O moa (Dinornis robustus), um tipo de avestruz gigante - a espécie Dinornis maximus podia chegar a 4 metros de altura e a 400 kg - que habitava a Nova Zelândia sumiu por volta de 1500, época em que os maoris chegaram às ilhas. Antes dos humanos, esse pássaro incapaz de voar praticamente não tinha predadores em seu hábitat. No entanto, os ossos partidos por ferramentas, carbonizados e com marcas de dentes humanos mostram que os maoris deram fim àqueles tempos tranquilos.

Tipo de pombo frugívoro que chegava aos 25 kg, o dodô (Raphus cucullatus) era encontrado nas Ilhas Maurício, na costa leste da África. Também incapaz de voar e muito lento, ele foi um alvo fácil para os primeiros europeus que aportaram nas ilhas, nos séculos 17 e 18. O dodô não virou fonte de carne apenas para os humanos: os animais introduzidos por eles naquele ecossistema, como cães, porcos e macacos, também se alimentaram dos pássaros e de seus ovos, ajudando decisivamente na destruição.

 

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