Línguas em perigo Línguas nascem, crescem e também morrem, mas nunca tantas delas foram extintas como nas últimas décadas. Uma obra recém-lançada pela Unesco faz o balanço de cerca de 2.500 idiomas sob risco ao redor do mundo e apresenta formas de reverter esse processo
No mínimo, afirmam os linguistas, o idioma deve estar registrado de forma escrita para não desaparecer de vez. Isso permite que ele, mesmo extinto, ainda seja passível de um retorno. O latim é um exemplo disso: língua morta há séculos, ainda hoje é estudado e vez por outra seu retorno ao currículo escolar brasileiro é cogitado.
O cenário brasileiro
Segundo o Atlas da Unesco, 190 línguas estão ameaçadas no Brasil, todas elas indígenas. Desse total, 12 já foram extintas e as restantes correm perigo. Para uma das principais fontes da Unesco na preparação do Atlas, o antropólogo e linguista norte-americano Denny Moore, colaborador do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e coordenador da área de linguística do Museu Emílio Goeldi, de Belém, esses números devem ser vistos com reserva. Em depoimento à revista IstoÉ, ele observou que muitas das línguas mencionadas na obra são extremamente parecidas e poderiam ser avaliadas pelos linguistas como sendo um único idioma. “Eu diria que os índios brasileiros falam 150 línguas. O gavião de Rondônia e o zoró, por exemplo, são tão semelhantes quanto o português falado no Norte e o falado no Sul do País”, comenta. Outro detalhe salientado por ele é a ausência no Atlas, por falta de dados sistematizados, de cerca de 20 línguas, faladas por descendentes de imigrantes e de grupos afro-brasileiros. |
O desinteresse das novas gerações por uma língua é um dos principais fatores que a levam a desaparecer. o falecimento dos mais velhos consolida essa morte |
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Políticas linguísticas favoráveis têm facilitado a preservação de idiomas autóctones, como o quíchua e o aimará, no Peru (página ao lado, no alto, à esquerda, e no centro, à direita). A África (fotos restantes) é o continente no qual mais idiomas correm riscos. O suaíli, por exemplo, falado por povos da África Oriental, como os masai (abaixo, à direita), ameaça 30 dialetos na Tanzânia. |
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