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EDIÇÃO 436

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HOME: REVISTA: Clube de Viajologia Janeiro/2009

Como exportar felicidade
Um pequeno reino no Himalaia ensina ao mundo como ser feliz


Texto e fotos: Haroldo Castro

Karma Ura, presidente do Centro de Estudos do Butão, é uma autoridade na pesquisa do Índice da Felicidade Bruta do país.

Uma nação encravada na Cordilheira do Himalaia está revolucionando alguns conceitos básicos da vida humana. Ao criar um novo índice para medir a qualidade de vida de seus habitantes, o Butão oferece uma receita inovadora para nosso mundo de hoje, demasiadamente ancorado em aspectos materiais.

Tudo começou com Jigme Singye Wangchuck, que substituiu seu pai como o rei do Butão, em 1972. Ele tinha apenas 17 anos de idade. Sua coroação, dois anos mais tarde, marcou o fim do isolamento do pequeno país (menor que o Estado do Rio de Janeiro), escondido nas montanhas. De fato, até então, nenhum estrangeiro tinha autorização para entrar no reino, a não ser quando convidado pela família real. A partir de 1974, o paraíso proibido começou a abrir as portas ao mundo.

Nos 34 anos de reinado, o desafio do rei Jigme Singye Wangchuck foi o de equilibrar o desenvolvimento econômico com os valores culturais e espirituais da nação. Em 1987, respondendo a um repórter do jornal britânico Financial Times sobre a razão de o desenvolvimento no Butão caminhar a passos tão lentos, o rei teria respondido que "a Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto". E teria arrematado: "Em nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede a prosperidade econômica."

"A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o PIB. Em nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede
a prosperidade econômica."
Jigme Singye, rei do Butão, em entrevista ao Financial Times

O conceito de o bem-estar do indivíduo não estar obrigatoriamente relacionado com bens materiais passou a percorrer o mundo e chamou a atenção de estudiosos. Afinal, o índice do Produto Interno Bruto (PIB), usado por todas as nações do planeta, sempre foi considerado limitado. O PIB é apenas uma fórmula que determina a quantidade total da produção e do consumo de ser viços e bens por meio de transações econômicas. Pouco importa se a riqueza foi originada por guerras, prostituição e devastação da natureza ou se é o resultado de um trabalho honesto e uma atividade sustentável.

Se algum bem é conservado e não é consumido, essa operação não é registrada no PIB, pois esta não gera um valor específico. Por exemplo, uma floresta mantida intacta não entra no cálculo do índice, enquanto o conserto de um veículo acidentado (que pode até ter provocado vítimas fatais) é contabilizado. O PIB não consegue medir o trabalho voluntário e chega a ampliar a discriminação contra as atividades não-remuneradas, cujas motivações estejam acima do ganho financeiro.

"As medidas do PIB não medem a degradação do meio ambiente, o esgotamento dos recursos naturais nem o agudo declínio na qualidade de vida dos cidadãos. Acho que, em todos os espectros políticos, existe o reconhecimento dessas deficiências e a convicção que é importante desenvolver medidas mais adequadas", afirma Joseph Stiglitz, economista reconhecido com o Prêmio Nobel 2001 de Economia. Stiglitz foi convidado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, para desenvolver um novo sistema de cálculo econômico que possa incluir fatores de qualidade de vida.

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