Caderno Ambiente
Lixão eletrônico Descartados em países desenvolvidos, aparelhos eletrônicos
como televisores e computadores geralmente vão parar em
nações em desenvolvimento, como Gana - e lá se tornam um
grande problema para a saúde e o meio ambiente
Fotos de Kate Davison/Eyevine/Zuma Press
Os equipamentos eletrônicos são uma das mais conhecidas fontes de metais pesados, materiais tóxicos e poluentes orgânicos no lixo urbano. Devido à velocidade com que a tecnologia está mudando, as pessoas trocam seus aparelhos a intervalos cada vez mais curtos; só nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 30 milhões de computadores sejam jogados fora anualmente. Todos os grandes personagens dessa indústria também são encontrados nesses restos: Apple, Epson, IBM, Dell.
Crianças de Gana, na África Ocidental, podem conseguir muito dinheiro desses refugos extraindo, com a ajuda do fogo, o cobre contido em computadores, televisores, rádios, câmeras e baterias de celulares, já que muitos ganeses sobrevivem com apenas dois dólares por dia. Mas os perigos que o lixo eletrônico representa para o meio ambiente e a saúde humana do país são reais.
AS PREOCUPAÇÕES com o lixo eletrônico (e-waste, em inglês) estão crescendo ao redor do mundo, em especial nos países desenvolvidos. Mas em muitas nações em desenvolvimento, como Gana, a necessidade de examinar com muita atenção esse assunto ainda não foi devidamente assimilada.
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Aparelhos eletrônicos são uma das mais conhecidas fontes de metais pesados |
E-waste é o nome genérico atribuído aos aparelhos eletrônicos ou computadores descartados. Esses itens possuem diferentes origens e abrangem televisores, computadores pessoais (PCs), telefones, aparelhos de ar condicionado, celulares e brinquedos eletrônicos, além de elevadores, geladeiras, lava-louças, secadoras, equipamentos para cozinha e até aviões.
O aumento na quantidade de peças descartadas no sistema está muito relacionado à velocidade do avanço tecnológico e da inovação, associada a um alto índice de obsolescência. Como o papel representado pela tecnologia no desenvolvimento socioeconômico é bastante crítico, o tema do lixo eletrônico se tornou complexo.
É claro que nenhuma nação pode se desenvolver sem know-how e expertise tecnológica. Mas a tecnologia deixa em seu rastro alguns custos, incluindo o lixo eletrônico e as conseqüências associadas a ele. Elas reverberam em perigos potenciais para a saúde e o meio ambiente.
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À esquerda, computadores descartados nos arredores de Acra, a capital ganesa. Acima, menino leva fios de cobre extraídos de aparelhos cujas partes de plástico foram derretidas pelo fogo. |
DE ACORDO COM A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, dos cerca de 30 milhões de computadores jogados fora anualmente no país, apenas 14% são reciclados. Os dados disponíveis mostram ainda que, por volta do fim de 2004, mais de 314 milhões de computadores estavam obsoletos e, no final de 2007, os aparelhos ultrapassados já somavam 500 milhões. Com isso, o tempo de vida médio dos computadores norte-americanos reduziu-se a menos de dois anos. Para a maioria das pessoas, o encanto da nova tecnologia é tão forte que os usuários preferem comprar um novo computador a reformar um velho, e os PCs que não podem ser reformados vão se juntar à pilha de aparelhos descartados. Outra estimativa indica que, em 2010, 100 milhões de celulares e 300 milhões de PCs serão despejados em algum lixão.
Como é difícil obter estatísticas acuradas em Gana, as estimativas do número de PCs no país não são prontamente disponíveis. Além disso, o índice de obsolescência dos aparelhos eletrônicos usados pelos ganeses não é conhecido, pois deve-se considerar o fato de que boa parte deles já é velha.
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