BUSCA
ÍNDICE DA REVISTA ASSINATURAS

ASSINE JÁ!

REVISTA PLANETA
EDIÇÃO 427

 SEÇÕES
  REPORTAGEM
  MEIO AMBIENTE
  UNESCO/PLANETA
  COMPORTAMENTO
  ENTREVISTA
  CLUBE DE VIAJOLOGIA
  SAÚDE
  CIÊNCIA
  SEÇÕES
HOME: REVISTA: Reportagens Abril/2008

ASSAÍ
Fundada no norte do Paraná pelos japoneses nos anos 30, Assaí - "sol nascente", em japonês - é uma das cidades brasileiras com maior concentração de descendentes de imigrantes em sua população.


Por Giedre Moura Fotos: Rafael Mayrink Góes

Mas nem tudo na memória é ruim. Algo que Okazaki gosta de lembrar é de quanto se empenhou para construir a primeira igreja do bairro do Palmital. Seu trabalho não se restringia só à edificação, mas também ao leva-etraz de pessoas da catequese para ensinar os preceitos do catolicismo às crianças. Ele também foi a primeira pessoa a ser batizada em Palmital.

Okazaki, assim como o dentista Kumata, rompeu outra tradição secular do Japão: os dois trocaram o budismo dos pais pelo catolicismo ocidental. Mas a cidade ainda abriga um centro budista que mostra a sua força quando um devoto falece. “A cerimônia fúnebre é um dos alicerces do budismo e são nessas datas que abrimos, quando há necessidade de atender alguém”, diz o monge Atsunori Imai, 35 anos.

IMAI CONFESSA que o templo foi se esvaziando com o tempo e considera o fato normal – afinal, aqui não é o Japão. “Fala-se bastante sobre budismo na mídia, mas o que praticamos, o Terra Pura, não é o mais citado. Nossa linha é a mais popular no Japão, com dez mil templos. No Brasil, porém, comentam muito do budismo esotérico, como o tibetano, o meditativo e o zen-budismo. Nossa linha prega a palavra”, explica o monge.

Mas, se o templo anda vazio, o toque do sino não foi esquecido. É ele quem anuncia a chegada do Ano-Novo oficialmente a Assaí todos os anos, com suas 108 badaladas. É um som que não perde a força, assim como o taikô tocado por Herik e os seus alunos de 7 a 70 anos de idade. O sino, por sinal, deve soar ainda mais forte no ano de aniversário da imigração.

Quando deixa o taikô de lado, Herik se diverte com os amigos ouvindo J-Pop, a música pop japonesa que é febre entre os adolescentes, e baixando da internet mangás e animês, os quadrinhos e desenhos animados do Japão que exibem personagens de olhos mais para arredondados que para rasgados, como os de Herik.

Modernidade que combina com a ancestralidade dos tambores. A terra do sol nascente ocidental, assim como a pátria oriental, sabe que não existe nada mais típico na cultura japonesa de hoje do que o encontro harmônico entre os hábitos milenares e a velocidade da vida moderna.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3