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EDIÇÃO 427

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HOME: REVISTA: Reportagens Abril/2008

ASSAÍ
Fundada no norte do Paraná pelos japoneses nos anos 30, Assaí - "sol nascente", em japonês - é uma das cidades brasileiras com maior concentração de descendentes de imigrantes em sua população.


Por Giedre Moura Fotos: Rafael Mayrink Góes

“A escola é uma das coisas mais importantes para a família japonesa. Eu tive sorte e fiz faculdade. Queria fazer arquitetura, mas acabei fazendo agronomia em Viçosa, para dar continuidade às atividades do meu pai por aqui”, diz Cairo. As escolas somente fecharam na época da Segunda Guerra Mundial, quando qualquer atividade japonesa em grupo era considerada crime pelo governo brasileiro, que se posicionou ao lado dos aliados no conflito.

A TRADIÇÃO DE PAI para filho se manteve na casa dos Koguishi. Lídio e Lincon, dois dos quatros filhos do casal, também seguem o ofício do campo e cursaram agronomia. Os tempos de universitário trazem outra boa recordação para Cairo. Apesar de morar perto, foi apenas na universidade que ele conheceu a eletrizante Nair. Ela cursava economia doméstica, também em Viçosa. “Ah, desde aquele tempo ela já era assim, espevitada. Não mudou nada”, afirma sorrindo.

Acima, no sentido horário, aula de taikô, uma das atividades praticadas por descendentes dos imigrantes japoneses em Assaí; o casal Cairo e Nair; e o moti, o bolinho de arroz, um prato típico da gastronomia do Japão.

Mas não é para todos os assaienses que o ritual de passar a atividade de sustento da casa para o filho mais velho se mantém. Nos anos 80, com o fenômeno dos dekasseguis, muitas famílias de Assaí ficaram “desfalcadas”. Seguindo um caminho parecido com o dos antepassados, de buscar uma vida melhor e juntar dinheiro em outro país, alguns não voltaram ou se desinteressaram pela terra. Foi por isso que a família Koghishi arrendou a terra do vizinho Noboru Okazaki, hoje com 94 anos.

A arte do shodo, a caligrafia japonesa escrita em sumi (tinta preta) e com pincel sobre papel de arroz.

Okazaki, que chegou ao Brasil no terceiro navio da imigração, o Wakasa Maru, não tem como cuidar de seu sítio. Seu único filho está no Japão e não dá esperanças de que pode voltar um dia. Também a sua única neta faz faculdade em Londrina. Para dificultar a situação, depois de um assalto, ele se viu obrigado a morar com a nora na cidade e a desmanchar a casa com varanda cerimonial e madeira rendilhada. Dos bonsais que cultivava no jardim, agora só resta a lembrança.

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