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EDIÇÃO 424

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HOME: REVISTA: Espiritualidade Janeiro/2008

Carlos Buby, a música como alimento espiritual
"Entendo a música como um caminho de transcendência espiritual", diz Carlos Buby, babalorixá do Templo Guaracy de Umbanda, em São Paulo. Aos 58 anos, ele realiza um antigo sonho e lança o CD "Terra de Deus Repentista", no qual canta músicas de sua autoria, de pontos religiosos a cantigas de inspiração nordestina


Texto e fotos: Haroldo Castro

Carlos Buby no palco com o coro e, na extrema direita da foto, as Irmãs Galvão; no centro, a capa do CD "Terra de Deus Repentista"; e o compositor na rede, no Sítio da Mataganza, no Embu (SP), sede do Templo Guaracy de Umbanda, do qual ele é babalorixá.

Uma nova parceria nasceu entre ambos. Alguns meses depois estavam no estúdio de Campanha para gravar os 15 fonogramas de "Terra de Deus Repentista" . O maestro desenhou os arranjos e fez a produção e direção musical. "Foi um casamento perfeito entre meus conhecimentos musicais e os princípios da umbanda, trazidos por Buby", diz Campanha. "Escolhemos os instrumentos de acordo com as características dos orixás e seus respectivos elementos. Usei cravo para realçar a dimensão infantil em "Janaína" e, em "Dono das Matas", harpa para sublinhar as emoções", acrescenta.

Buby considera que tem um compromisso com a proteção da natureza. "Na umbanda, aprendemos a reverenciar o mundo natural de forma sagrada e não só biológica. Não somos observadores com a pretensão de administrar a natureza", diz. Inspirado nesses conceitos, ele compôs "Dono das Matas".

"Escrevi essa canção no fim dos anos 70. Infelizmente, mesmo depois de 30 anos, a música é atual porque as florestas continuam sendo destruídas." O apelo na letra é óbvio: "Não botar fogo nas matas porque nas matas tem morador. Deixe a árvore nascer, deixe o pássaro viver. O verde é nossa esperança e a esperança não se deixa morrer."

"Feiticeiro Negro" encerra o álbum "Terra de Deus Repentista" e aborda o preconceito sofrido pelos seguidores das tradições afro-brasileiras. Seu refrão, consagrado ao orixá Obá, é um chamado à compaixão e à liberdade de expressão. O videoclipe recebeu mais de 15 mil visitas no site YouTube. "A voz grave de Buby é afinada e a música, singela e direta. Toca em assunto importante: a intolerância religiosa", afirma o crítico musical Luis Antonio Giron.

Entre o babalorixá e o artista parece não existir conflito. "Na década de 70, eu queria ser famoso e buscava apenas o sucesso. Hoje, com 58 anos, vejo a música como uma forma de transcendência espiritual. Para mim, um show é como uma gira, um ritual que alimenta as pessoas. Não somos capazes de viver sem arte", conclui Buby.

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