BUSCA
ÍNDICE DA REVISTA ASSINATURAS

ASSINE JÁ!

REVISTA PLANETA
EDIÇÃO 421

 SEÇÕES
  REPORTAGEM
  MEIO AMBIENTE
  UNESCO/PLANETA
  COMPORTAMENTO
  ENTREVISTA
  CLUBE DE VIAJOLOGIA
  SAÚDE
  CIÊNCIA
  SEÇÕES
HOME: REVISTA: Ciência Outubro/2007

fábrica de quimeras embriões híbridos entram em linha de produção
Na Inglaterra, sinal verde do governo para a produção de embriões feitos com material genético humano e de animais. Servirão para se obter células-tronco necessárias à cura de doenças


Na mitologia grega, a quimera era um ser monstruoso, com cabeça de leão, corpo de cabra e rabo de dragão. No mundo também fantástico da engenharia genética, usa-se o mesmo termo - quimera - para indicar um indivíduo composto de diversos genomas. Um ser cujo DNA possui seqüências provenientes de mais de uma espécie.

Em Londres, dia 5 de setembro, a quimera genética se tornou realidade. Depois de muita polêmica, discussões e inclusive uma consulta à população, as autoridades inglesas autorizaram a criação de embriões híbridos humano-animais para utilização científica na busca da cura de diversas doenças. Em princípio, os seres que nascerão dessas experiências terão pouco ou nada a ver com a quimera mitológica.

Mais de 60% dos ingleses se declararam A FAVOR das EXPERIÊNCIAS realizadas com embriões HÍBRIDOS

Ian Wilmut, o "pai" de Dolly, a primeira ovelha clonada.

Cientistas de dois supercentros britânicos especializados em pesquisa de engenharia genética - o King's College de Londres e a Universidade de Newcastle - se limitarão a produzir "embriões híbridos" removendo o núcleo do óvulo de uma coelha ou de uma vaca e substituindo-o com o núcleo de uma célula humana. Entre esses pesquisadores está Ian Wilmut, o "pai" de Dolly, a primeira ovelha clonada.

O resultado será um embrião com 99% dos genes tomados do doador humano e apenas 1% do animal. Mas, para seus opositores - sobretudo para as autoridades católicas -, o significado da experiência não se altera: trata-se de "algo absurdo, inútil, utópico", que se torna realidade. Um conúbio sacrílego e imoral entre o homem e a besta.

Uma idéia que lembra a criação de horrendos Frankensteins surgidos em provetas de laboratórios. A abertura de uma porta que conduzirá a alucinantes experiências contra a natureza.

A fala do Vaticano, expressa pela voz de monsenhor Elio Sgreccia - presidente da Academia Pontifícia para a Vida - no próprio dia em que a notícia foi lançada, não deixa margem a dúvidas: "Trata-se de um ato monstruoso contra a dignidade humana, uma rendição do governo britânico às pressões de um grupo de cientistas que vai certamente contra a moral." Mas 61% dos ingleses consultados em pesquisa pela Authority se declararam a favor dessas experiências com embriões híbridos, considerando que seu potencial positivo é maior que o negativo.

Como a ciência faz uma quimera? Há vários processos. Um modo relativamente simples, hoje muito usado no campo farmacêutico, consiste em inserir numa bactéria um ou mais genes provenientes de um outro organismo, permitindo àquela bactéria produzir determinadas substâncias úteis para o ser humano. A insulina, por exemplo, necessária para o tratamento da diabete, até há poucas décadas era extraída do pâncreas de vacas, cavalos ou porcos.

Hoje em dia, ela é produzida por bactérias modificadas em laboratório, inserindo-se nelas o gene que contém os códigos para a produção de insulina humana.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>