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REVISTA PLANETA
EDIÇÃO 425

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HOME: REVISTA: Meio Ambiente Fevereiro/2008

Geoengearia, ciência quer vencer o aquecimento global
O que fazer enquanto os efeitos do aquecimento global avançam e s políticos do mundo não chegam a nenhuma conclusão prática sobre o tema? Soluções existem. Veja a seguir


Equipe Planeta

Flora invisível
O biólogo marinho Paul Falkowski, da Universidade Rutgers de New Brunswick (EUA), refere-se ao fitoplâncton – o conjunto de microorganismos que habitam os mares – como sendo uma “floresta invisível”: uma floresta que, hoje, poderia ser usada para armazenar grandes quantidades de CO2, o principal gás responsável pelo superaquecimento do planeta. Bastaria fertilizar com ferro as zonas do oceano chamadas High Nutrient, Low Chlorophyll (HNLC), zonas de alta concentração de nutrientes e baixa concentração de clorofila.

Essas zonas constituem áreas marinhas “desérticas”, porém muito férteis, às quais falta apenas o ferro (necessário para a fotossíntese) para se tornarem “bombas verdes”. De modo análogo a quando se plantam árvores, fazer crescer organismos vegetais no mar possibilita a fixação do carbono em estruturas sólidas (conchas, rochas, etc.), reduzindo a quantidade desse gás na atmosfera.

Lançando compostos de enxofre na atmosfera é possível criar um escudo que atenua a incidência dos raios solares.

1. O enxofre é comprimido e armazenado em cilindros na forma de hidrogênio sulfurado.
2. Balões aerostáticos transportam os cilindros a 20 quilômetros de altura.
3. O hidrogênio sulfurado reage com os gases da atmosfera (ver esquema, abaixo).
a. Hidrogênio sulfurado
b. Oxigênio
c. Dióxido de enxofre
d. Molécula de água
4. Forma-se um escudo de aerossóis capaz de refletir parte dos raios.

Escudo espacial de enxofre
Grandes erupções vulcânicas despejam tantas partículas na atmosfera que as nuvens resultantes provocam um significativo resfriamento da temperatura. Durante a erupção do vulcão Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, dez milhões de toneladas de enxofre foram lançadas na estratosfera, causando uma queda média de 0,6º centígrados da temperatura no planeta. A idéia do professor Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel de 1995 por seu trabalho sobre a formação e a deterioração da camada de ozônio na atmosfera, é imitar o Pinatubo, criando uma “manta” de enxofre que barraria a passagem dos raios solares. Esse efeito seria obtido graças ao envio para a estratosfera de foguetes carregados com enxofre: eles explodiriam ali, liberando cerca de um milhão de toneladas do gás para o surgimento dessa nuvem sulfúrica.

Para outros cientistas, a idéia pode ser eficiente para bloquear os raios do Sol, mas é muito ruim sob outros aspectos. Ela pode, por exemplo, aumentar a chuva ácida (a precipitação contaminada com poluentes derivados da queima de combustíveis fósseis, como ácido nítrico e ácido sulfúrico) ou danificar a camada de ozônio. Crutzen admite o risco, entretanto salienta que a sua proposta somente entraria em cena se o nosso planeta continuar esquentando no ritmo atual.

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