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EDIÇÃO 425

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HOME: REVISTA: Meio Ambiente Fevereiro/2008

Geoengearia, ciência quer vencer o aquecimento global
O que fazer enquanto os efeitos do aquecimento global avançam e s políticos do mundo não chegam a nenhuma conclusão prática sobre o tema? Soluções existem. Veja a seguir


Equipe Planeta

Icebergs artificiais
1.
Plataforma de bombeamento (movida a energia eólica): aspira a água do mar em profundidade, nebulizando-a.
2. A água nebulizada (salgada) se congela ao redor da plataforma.
3. A operação prossegue até que o iceberg em formação atinja a espessura de 7,5 metros.
4. Na primavera, as ilhotas se dissolvem, pondo água fria e salgada em circulação.
5. Jatos de água salgada são esguichados para facilitar o derretimento do gelo.

Neste início de ano eleitoral nos Estados Unidos, tanto na pauta dos candidatos democratas quanto republicanos à Presidência da  República constam promessas consistentes para os necessários cortes de emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa na atmosfera. De outro lado, ainda haverá muita discussão sobre os limites de emissões desses gases para os países em desenvolvimento – algo que, em princípio, não agrada à China, à Índia e ao Brasil. Portanto, até a Conferência sobre o Aquecimento Global de Copenhague, em 2009, a indefinição sobre o que fazer diante desse problema provavelmente ainda vai ser a tônica.

ILHAS ARTIFICIAIS DE GELO
Graças à Corrente do Golfo, o norte da Europa tem um clima muito mais ameno do que faria supor a sua latitude. Verdadeiro rio de águas quentes dentro do mar, ele atravessa todo o Atlântico e, ao se aproximar do Círculo Polar Ártico, suas águas esfriam e se dirigem para as profundezas. A descida em profundidade das águas esfriadas é provocada em grande parte pela sua maior densidade, devida também ao sal dissolvido que a torna mais “pesada”. Esse mecanismo, vital para o clima e para a ecologia ambiental da região, poderia emperrar caso o derretimento das geleiras da Groenlândia fizesse entrar muita água doce no sistema. As conseqüências seriam catastróficas para o clima da Europa, que esfriaria de modo significativo, podendo entrar num novo ciclo glacial.

Peter Flynn e Songlian Zhou, pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, estudaram um sistema para dar maior vigor a essa “bomba de calor” oceânica. Entre a Groenlândia e a Islândia seriam instaladas 8.100 ilhotas flutuantes, dotadas de bombas para vaporizar a água do mar: durante o inverno, quando a temperatura média é de -10o centígrados, a água nebulizada congelaria, formando pequenos icebergs artificiais.

Na primavera, esses icebergs derreteriam gradualmente, jogando no mar água fria e salgada que empurraria para as profundezas as águas da corrente norte-atlântica. O custo da operação é estimado em US$ 50 bilhões.

Enquanto isso, é claro, a natureza não vai esperar para aprofundar as conseqüências do efeito estufa. Não é impossível que a situação do clima chegue rapidamente a um ponto extremo e a ortodoxia científica ceda espaço para soluções de geoengenharia tecnologicamente muito ousadas. Diversos pesquisadores nessa área já pensam em idéias no mínimo arrojadas para manter a Terra como um lugar aprazível para se viver.

De acordo com relatório do Painel Internacional de Mudanças Climáticas, divulgado em 2007, são cogitadas basicamente três técnicas para reduzir os efeitos da luz solar sobre a Terra: espelhos em órbita, métodos que envolvem partículas de enxofre e projetos para aumentar a camada de nuvens. Essas propostas “teriam conseqüências benéficas” ao aumentar a produtividade agrícola e florestal, dizem os cientistas que participaram da iniciativa. O dióxido de carbono (CO2) seria deixado na atmosfera, estimulando o crescimento das plantas, enquanto a redução na luz solar não permitiria que as temperaturas subissem mesmo que os níveis desse gás continuassem a aumentar.

A oposição científica a esses métodos é considerável e gira em torno de um conceito: se foi a tecnologia que levou a humanidade a esse ponto crítico, por que deveríamos apostar todas as nossas fichas nela para salvar a Terra? Ninguém, de fato, é capaz de prever com 100% de certeza se as técnicas de geoengenharia vão funcionar – mas, se o quadro geral engrossar, é bem possível que conheçamos seu grau de eficiência na base do desespero. Como afirma o cientista britânico James Lovelock, um dos criadores da Teoria de Gaia, há riscos nessas intervenções na natureza, mas os riscos são maiores se não se fizer nada.

Conheça a seguir idéias de geoengenharia que estão em discussão nos meios científicos. Algumas delas, inclusive, já chegaram à fase de testes.

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