Com ou sem crise, o mundo vai continuar com a demanda por alimentos aquecida. Os países em desenvolvimento devem comandar esse movimento. Os mais ricos, porém, também têm o seu peso. As previsões dos analistas internacionais compiladas por DINHEIRO RURAL sugerem o que esperar das safras das principais commodities no mundo. Veja ao lado quais serão as mais afetadas por clima e preços e quais países estão investindo na produção.
EUROPA
● Dentre as commodities que não entram no grupo dos alimentos, a maior redução prevista é a de algodão. A indústria demanda por ano uma média de 1 milhão de toneladas da matéria-prima, em pluma.
● No grupo dos alimentos, a demanda por grãos e carnes deve continuar estável, apesar da crise. De milho e soja, a zona do euro consome cerca de 77 milhões de toneladas. De carnes, 37 milhões de toneladas.
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ESTADOS UNIDOS
● A previsão de abate de bovinos deverá ser 5% menor neste ano, dado o mercado interno mais reprimido. Com excedente, o país deverá aumentar as exportações em 21% ante 2011.
● O USDA prevê uma safra de soja menor este ano. Cai de 90 milhões de toneladas em 2011 para 82 milhões neste ano.
● Por conta do clima seco, o país também deve registrar uma quebra na safra de milho 2011/2012 de 3,5 milhões de toneladas. A safra está prevista em 312,6 milhões de toneladas, contra 316,1 milhões na safra passada. |
ARGENTINA
● Por causa do La Niña, uma seca acentuada prevista para o ano, o cultivo de trigo nesta safra deve ser menor que os 14,7 milhões de toneladas da safra anterior.
● A safra de milho deve atingir 29 milhões de toneladas, contra os 22 milhões da safra anterior.
● Na soja, a previsão é de crescimento em 2012. Passa de 49 milhões de toneladas para 52 milhões de toneladas produzidas.
● A produção de carne bovina deverá se recuperar levemente, aumentando em 4%, para 2,5 milhões de toneladas in natura. |
RÚSSIA
● Até 15 de junho, o Parlamento russo terá que ratificar a adesão do país à OMC, uma negociação que durou 18 anos. O comércio com a Rússia, considerado difícil em função da falta de regras mútuas, deve ficar mais fácil. O país possui 141 milhões de consumidores.
● É um grande importador de commodities agrícolas e quer reduzir sua dependência externa. No ano passado, importou 7,7 milhões de toneladas de carne.
● O plano do governo é incentivar a produção nacional. Em 2011, o país produziu 4,4% a mais de carne que o ano anterior. |
CHINA
● Apesar da crise europeia, a China deve manter elevada a sua demanda por grãos em 2012, principalmente por soja e milho. A importação dos dois cereais deve ser de 59,5 milhões de toneladas.
● A produção de milho segue em alta, passando de 177 milhões de toneladas em 2011 para pouco mais de 184 milhões neste ano.
● Já a produção de soja deve cair. Foi de 15 milhões de toneladas na safra 2010-2011 e deve ser de 14 milhões na safra 2011/2012. |
UCRÂNIA
● É considerada uma economia emergente na Europa Oriental. O governo tem incentivado a produção de trigo, açúcar, carnes e laticínios. O objetivo é exportar para os países vizinhos, principalmente carne para a Rússia.
● Segundo o Erste Bank, o principal grupo financeiro da Europa Oriental, em 2011 o país se tornou o maior produtor e exportador mundial de óleo de girassol. A produção ficou acima de 3,3 milhões de toneladas; 90% foi exportada para a China. |
ÍNDIA
● A Índia deve superar a marca de 26 milhões de toneladas de açúcar na safra deste ano, um aumento de 8% ante 2011.
● Por razões religiosas, o país não é um grande consumidor de carne vermelha, mas deve entrar no grupo dos maiores exportadores mundiais, atrás de Brasil e Austrália. Em 2012, as vendas externas podem crescer 16%, para 1,3 milhão de toneladas. A produção deve alcançar 3,3 milhões de toneladas, entre bovinos e búfalos.
● Especialistas preveem que a Índia deverá ser a responsável por quase metade do crescimento mundial das exportações de carne bovina em 2012. |
AUSTRÁLIA
● Deve aumentar o abate de bovinos, mas, por causa da seca dos últimos anos, o peso dos animais tende a ser mais leve. O aumento previsto da produção é de 2%, o que deve gerar 2,04 milhões de toneladas de carne.
● A previsão é de mais exportação e retomada dos patamares históricos de vendas de carne bovina. No ano, o comércio deve ficar em cerca de 1,38 milhão de toneladas. |
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