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| Gonçalves (à esq.) e Tortola: A GTFoods vai investir R$ 95 milhões em granjas e unidades industriais |
Em 1990, quando Ciliomar Tortola e Rogério Gonçalves abriram um galpão para a comercialização de frangos vivos em Maringá, no Paraná, eles não faziam a mínima ideia aonde seus negócios iriam levá-los. À época, a produção era de cerca de 20 mil aves e as vendas se destinavam a pequenas avícolas da região. Tortola jogava futebol - mas não se profissionalizou -, enquanto Gonçalves cursava a faculdade de direito, embora não tenha se formado. Os primeiros tempos foram complicados- o clichê "todo começo é difícil" aplicou-se à perfeição aos dois, que, além de sócios, são cunhados - Tortola é marido de uma irmã de Gonçalves. Dois anos depois de instalado o galpão, as avícolas resolveram iniciar a própria criação das aves a ser abatidas, afetando diretamente o empreendimento. "Passamos um 'sufoquinho', porque estávamos começando e, de repente, as avícolas se tornaram autossuficientes, não compravam mais, e perdemos mercado", diz Tortola, ao se referir ao sistema de integração. A partir daí, houve a necessidade de passar da venda dos frangos e galinhas vivos ao abate manual, que era inicialmente de mil aves por dia. "O trabalho era grande", afirma. Mas valeu a pena. Duas décadas depois, o negócio dos dois cunhados prosperou e se transformou no GTFoods Group, uma potência regional que deve faturar R$ 1 bilhão em 2012, contra R$ 800 milhões no ano passado.
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Tecnologia: investimento em incubatório de ovos para aumentar a eficácia na produção |
O GTFoods Group, recém-criado em dezembro passado, nasceu da fusão do Frangos Canção, a empresa originária do pequeno galpão, dona da marca Gold Frango, com a concorrente Mister Frango, Paranavaí, que abate 130 mil aves por dia, adquirida por um valor não revelado. Somada à produção da antiga Frangos Canção, de 210 mil aves por dia, o GTFoods nasce com uma capacidade instalada de 420 mil aves diárias, o que a coloca no 12º lugar no ranking das avícolas brasileiras. "Com a fusão, projetamos fazer parte das dez maiores empresas do setor nos próximos anos", diz Gonçalves. Segundo ele, a GTFoods é responsável por cerca de 5% de toda a produção de frango no Paraná.
Para incrementar a nova empresa, Tortola e Gonçalves decidiram investir nas diversas unidades R$ 95 milhões, dos quais R$ 50 milhões de capital próprio e os restantes R$ 45 milhões com crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE S) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE ). Esses recursos são carimbados e devem ser destinados à construção de 150 novos aviários para a criação de pintos. Para suprir-se de sua principal matériaprima, o frigorífico combina a produção de 68 granjas próprias com a fornecida pela parceria com produtores rurais em mais de 30 municípios do Paraná.
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| Aviário em São Manoel: a capacidade de produção de pintos aumentará de quatro milhões para dez milhões por mês |
A outra parte do investimento será aplicada nas demais unidades da GTFoods em Maringá, Terra Boa, Paranavaí e Paraíso do Norte, o principal polo avícola paranaense. Os abatedouros dos três primeiros municípios receberão recursos de R$ 20,5 milhões para a ampliação de sua capacidade. "Vamos ampliar as vagas de emprego na região", afirma Tortola. Estão previstos ainda um investimento de R$ 15 milhões na construção de quatro novos núcleos de produção de ovos, no município de Marilena, e R$ 2,5 milhões para o aumento da capacidade do incubatório de São Manoel do Paraná, que aumentará de quatro milhões para dez milhões de pintos por mês. Não faltarão investimentos em logística, que receberá uma verba de R$ 9 milhões para a expansão da frota própria da empresa. "O aumento de produção em toda a nossa cadeia exige a ampliação da entrega dos nossos produtos ao mercado", diz Gonçalves.
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